MP endurece contra maus administradores
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2000
Maria Duarte De Curitiba 
Em resposta ao grande volume de irregularidades verificadas nos últimos meses, quando os promotores apresentaram cerca de 100 denúncias criminais na área de patrimônio público contra prefeitos e outros gestores municipais, o Ministério Público (MP) pretende dar mais ênfase às investigações que envolvem o setor em todo o Estado. A informação é do procurador-geral do MP no Paraná, Marco Antonio Teixeira.
Segundo ele, já foram feitas mudanças este ano destacando promotores exclusivamente para tratar dessa área. É o caso de Maringá, que tem o promotor José Aparecido da Cruz encarregado exclusivamente da Defesa do Patrimônio Público. Cruz investiga os desvios na Prefeitura de Maringá. As apurações já resultaram na prisão do ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi. O Paraná tem 450 promotores.
Em Londrina, Teixeira explica que não houve redistribuição de trabalho mas, em compensação, a segunda maior cidade do Estado tem três promotores para atuar na área. De acordo com o procurador-geral, no Estado a divisão de trabalho entre os promotores que se encarregam de processos relativos ao patrimônio público, família, educação e outros assuntos depende da demanda. Nosso volume de trabalho tem aumentado muito nos últimos anos, destaca. Isso gera outro problema, que é dar conta do recado com recursos limitados, emenda Teixeira. O MP pode gastar 2% do seus recursos mensais com pessoal, o que dificulta, e em alguns casos impossibilita, a criação de novos cargos.
De acordo com ele, estão em andamento este ano no Estado 860 processos de sonegação fiscal. Somente em Londrina, o procurador-geral lembra que existem cerca de 20 ações propostas envolvendo o patrimônio público. São 116 pessoas que estão sendo processadas por procedimentos que envolvem desvios.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) também está na mira do Ministério Público. Os administradores públicos terão que fazer um jejum se quiserem se enquadrar na lei e, posteriormente, tornar estados e municípios superavitários. Teixeira frisa que existem ações, ainda em tramitação, questionando a legalidade de alguns pontos da LRF. Entre os questionamentos estão a fixação de penas que prevê até a perda de mandato.
Teixeira afirma ainda que a última grande fronteira que o MP está começando a atacar com maior intensidade é a educação. Estamos avaliando políticas educacionais nos 399 municípios, principalmente a correta aplicação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério), destinado exclusivamente à educação. O desvio desse dinheiro para outros fins acaba deixando professores sem receber e alunos sem aula, comenta.
Segundo Teixeira, nenhuma das 20 ações criminais propostas pela CPI do Narcotráfico da Câmara Federal foi julgada por enquanto. Mas o procurador-geral diz que está otimista. Devem resultar em condenação dos apontados por crimes de tráfico, desmanche, corrupção, comenta. O MP acompanhou e municiou a CPI com informações. Teixeira disse que o relatório final serviu mais para confirmar fatos do que para revelar novos.


