MP emite parecer contrário a recurso do doleiro Youssef
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quinta-feira, 03 de maio de 2001
De Londrina 
O promotor da 4º Vara Criminal, Sérgio Correa de Siqueira, emitiu parecer contrário ao pedido dos advogados do doleiro Alberto Youssef, para que o processo contra ele seja analisado pela Justiça Federal. O recurso, chamado exceção de competência de juizo, foi apresentado ao juiz da 4º Vara Criminal, Arquelau de Araújo Ribas, responsável pelo processo onde o doleiro é acusado de ter movimentado R$ 120 mil, desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Ele e mais três pessoas foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e formação de quadrilha.
Essa questão já foi analisada incidentalmente no habeas-corpus quando o Tribunal de Justiça (TJ) julgou que a competência é da justiça estadual, afirmou Siqueira. Segundo ele, os advogados pedem que o recurso seja analisado no juizo originário a 4º Vara Criminal. O juiz Arquelau Ribas disse que está analisando os documentos apresentados pela defesa de Youssef. Mas, segundo ele, a prioridade é para os processos onde há réus presos. Embora esse caso tenha uma grande repercussão na sociedade, o processo vai andar como os demais onde há réus soltos, explicou.
Ontem à tarde, o doleiro prestou depoimento ao juiz substituto da 3ª Vara Cível, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura. Foi em cumprimento a uma carta precatória da comarca de Colíder, no Mato Grosso. Youssef foi arrolado como testemunha em uma ação declaratória de inexigibilidade, movida pelo frigorífico Colíder contra a Piovesan Manutenção de Aeronaves. O doleiro teria recebido um depósito de R$ 30 mil do frigorífico para quitar parte do conserto de uma aeronave, feita pela Pivesan.
Em dezembro do ano passado, o juiz Arquelau Ribas decretou a prisão de Youssef, de Eroni Miguel Peres (cunhado do doleiro), do segurança Antonio Carlos Neri Romero e do servidor municipal João Edson Danziger. Youssef ficou 17 dias preso, foi solto por decisão do TJ e voltou a ser detido no mês passado, quando permaneceu mais nove dias na cadeia.
Peres e Romero estavam foragidos desde dezembro e se entregaram junto com o doleiro. Os três foram colocados em liberdade por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que ainda não julgou o mérito do habeas-corpus que livrou o grupo da prisão. Danziger também ficou preso por 21 dias após ser preso pela Polícia Militar em sua casa.
Youssef também é acusado de envolvimento com o esquema de corrupção em Maringá e apontado como o responsável pela movimentação de R$ 150 milhões em 37 contas fantasmas no Banestado. (L.R.)


