MP em Londrina vai apurar improbidade na CMTU
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terça-feira, 01 de novembro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, instaurou procedimento administrativo para apurar eventual ato de improbidade administrativa praticado por diretores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) no recolhimento do lixo em Londrina. No domingo, André Nadai, presidente da CMTU, admitiu à FOLHA que a empresa terceirizada MM Consultoria e Serviços também coleta o lixo dos grandes geradores. O Plano de Saneamento e decreto municipal são claros em estabelecer que não é serviço público o recolhimento de resíduos de quem gera acima de 600 litros por semana.
''A informação que temos é de que a companhia está utilizando dinheiro público para prestar um serviço particular. Vamos apurar eventual ato de improbidade'', disse Solange Vicentin, que recebeu ontem representação do Observatório de Gestão Pública para quem Nadai também confirmou a irregularidade. ''As empresas que não estejam dando destinação correta ao seu lixo também poderão ser responsabilizadas.''
Nadai afirmou que entre 5% e 10% do lixo recolhido em Londrina seria produzido por grandes geradores. Se a estimativa estiver correta, o município estaria gastando até R$ 98 mil mensais com particulares. O presidente do Conselho Municipal do Ambiente (Consema), Fernando Barros, que é engenheiro, estima que os grandes geradores produzam 15% do lixo recolhido em Londrina.
Barros disse que o assunto será discutido no Consema. ''Sei que a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) multou muitas empresas por não apresentarem ou não cumprirem o PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos), mas neste caso a CMTU é que deveria deixar de recolher o lixo dos grandes geradores e multá-los'', avaliou.
André Nadai disse que entre os grandes geradores estão principalmente restaurantes e bares, mas também há universidades, hospitais e outros tipos de empreendimentos que produzem grande volume de lixo, ainda coletado com dinheiro público.
O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similiares de Londrina e Região, Alzir Bocchi, disse que o setor não se enquadra como grande gerador. ''Nós produzimos no máximo 300 litros de lixo por semana porque reciclamos tudo o que é possível'', afirmou. ''Além disso, temos um mandado de segurança que obriga a prefeitura a recolher nosso lixo porque pagamos a taxa de recolhimento de lixo juntamente com o IPTU, no início do ano.'' A reportagem não conseguiu contato com o advogado do sindicato para obter mais informações sobre a decisão judicial mencionada.


