Foram realizados ontem atos públicos em Londrina, Foz do Iguaçu e Guarapuava, organizados pelo Ministério Público (MP) do Paraná, contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) número 37, que torna as investigações criminais exclusivas das polícias Civil e Federal. A matéria, que reduz a atuação do MP em âmbito nacional, tramita na Câmara dos Deputados.
Em Londrina, o evento reuniu promotores e procuradores de Justiça, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representantes da Polícia Militar (PM), igrejas, vereadores, sindicatos, entidades de classe e comunidade em geral. O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) também esteve na mobilização. Durante entrevista à imprensa, Kireeff considerou a PEC um retrocesso. ''Dois grandes avanços da Constituição de 1988 foram a imprensa livre e a autonomia para o Ministério Público e não podemos retroceder nestes aspectos. Como agente político vim aqui para apoiar o MP.''
De acordo com o subprocurador-geral de Justiça Bruno Galatti, a campanha tem o objetivo de esclarecer a população sobre as consequências da mudança na legislação. Segundo ele, investigações já realizadas ou em andamento no MP ''certamente serão contestadas'', caso a PEC seja aprovada no Congresso.
Galatti afirmou que o Ministério Público é constantemente ameaçado pela classe política. ''Recebemos ameaças de corte de repasses quando tem investigações que alcançam o poder público.'' Ele afirmou que o MP e a polícia devem fortalecer a trabalho de investigação. ''Temos que trabalhar juntos.''
O promotor de Justiça Miguel Sogaiar disse que o MP conta com estabilidade funcional para conduzir investigações, ao contrário da Polícia Civil, que está vinculada ao Executivo. ''Mesmo que uma apuração esteja desagradando, o governante não pode afastar um membro do Ministério Público.'' O ciclo estadual de mobilização contra a PEC 37 deve ser finalizado hoje com um ato público em Curitiba.

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