MP e vereadores não tinham conhecimento sobre empréstimo
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Cristiane Oya<BR>Reportagem Local 
A promotora de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin, e o relator da extinta Comissão Especial de Investigação (CEI) que verificou irregularidades na venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, vereador Tercílio Turini (PSDB), afirmaram ontem que não têm conhecimento do empréstimo que teria sido contraído pela prefeitura de Londrina com a Banestado Corretora, em janeiro de 1999, no valor de R$ 2,4 milhões. O empréstimo caucionando ações preferenciais da companhia telefônica teria ocorrido apenas oito meses após a venda das ações para a Copel que rendeu aos cofres municipais R$ 186 milhões.
Passados quatro anos da possível negociação, o empréstimo somente teria sido descoberto agora durante as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, que verifica irregularidades na Copel durante a administração do ex-governador Jaime Lerner (PFL).
Apesar de inicialmente haver uma confusão entre o empréstimo feito com a Banestado Corretora em maio de 1998, de R$ 10 milhões, caucionando 2,4 milhões de ações preferenciais número que coincide com o valor do segundo empréstimo o sub-relator da CPI, Alexandre Curi (PMDB) disse ter em mãos cópias dos dois contratos, totalizando R$ 12,4 milhões que teriam sido negociados com a Banestado Corretora. ''Encontramos o contrato do empréstimo durante uma análise da documentação da Copel. Temos este contrato e um outro, no valor de R$ 10 milhões, que também teriam sido caucionadas ações da Sercomtel'', afirmou.
Turini disse que deverá submeter a avaliação do plenário da Câmara na próxima terça-feira, um requerimento pedindo informações sobre este empréstimo ao presidente da Sercomtel, Francisco Roberto. ''Queremos saber se foi somente R$ 10 milhões, ou se outras ações foram caucionadas e quanto isto representa no quadro acionário da Sercomtel'', justificou. Ao ser informado pela Folha sobre o montante de ações que pertencem ao Banestado hoje de propriedade do Banco Itaúá 7,89% do total e 23,16% das ações preferenciais, Turini demonstrou preocupação. ''Isso significa que se somarmos as ações da Copel (45%) com as do Itaú, eles podem dominar a empresa, fazer o que quiser. O município perdeu o controle do 50% mais um'', exclamou.
A promotora Solange disse somente ter conhecimento de outros três empréstimos firmados com a Banestado Corretora caucionando ações da companhia telefônica: em dezembro de 1997, no valor de R$ 10 milhões; em janeiro de 1998, de R$ 5 milhões, e o firmado em maio de 1998, de R$ 10 milhões. ''Se isso (empréstimo de R$ 2,4 milhões) for verdadeiro, eu quero juntar isso às nossas investigações'', afirmou. Segundo a promotora, todas essas negociações não seriam regulares.
O auditor-chefe da prefeitura, Osvaldo Lima, também disse que desconhecia a transação levantada pela CPI. O presidente da Sercomtel disse que não iria se ''posicionar'' sobre o assunto.


