A Pro­mo­to­ria de De­fe­sa do Pa­tri­mô­nio Pú­bli­co de Lon­dri­na in­ves­ti­ga uma lis­ta de se­te su­pos­tas ir­re­gu­la­ri­da­des na li­ci­ta­ção de R$ 4,7 mi­lhões fei­ta na Pre­fei­tu­ra de Lon­dri­na, em tem­po re­cor­de, no fi­nal de 2007. O cer­ta­me foi rea­li­za­do em 7 de de­zem­bro da­que­le que foi o pe­núl­ti­mo ano de ges­tão do pe­tis­ta Ned­son Mi­che­le­ti à fren­te do Exe­cu­ti­vo. O ob­je­to: a aqui­si­ção de equi­pa­men­tos de rá­dio-fre­quên­cia vol­ta­dos à im­plan­ta­ção de uma re­de de wi­re­less (trans­mis­são de da­dos sem fio, em al­ta ve­lo­ci­da­de) nas 91 es­co­las da re­de mu­ni­ci­pal, nas zo­nas ur­ba­na e ru­ral. O ca­so se­gue sob in­ves­ti­ga­ção tam­bém da Cor­re­ge­do­ria do Mu­ni­cí­pio, que de­ve con­cluir os tra­ba­lhos nos pró­xi­mos 15 ­dias, e da Cor­re­ge­do­ria-Ge­ral do Tri­bu­nal de Con­tas do Pa­ra­ná (TC-PR).
  A aná­li­se na Pro­mo­to­ria e da Cor­re­ge­do­ria se ba­seia em no­ve vo­lu­mes de do­cu­men­ta­ção apre­sen­ta­dos em ­abril des­te ano pe­la Con­tro­la­do­ria-Ge­ral do Mu­ni­cí­pio. Em mar­ço, os qua­tro au­di­to­res do ór­gão – in­cluin­do o che­fe da pas­ta, Míl­son Ci­ría­co ­Dias – cons­ta­ta­ram que a li­ci­ta­ção, co­man­da­da pe­la Se­cre­ta­ria Mu­ni­ci­pal de Ges­tão Pú­bli­ca, apre­sen­tou in­con­sis­tên­cias de ba­se for­mal, le­gal e ope­ra­cio­nal. Em re­la­ção ao tem­po, a apu­ra­ção apon­tou que, en­tre a so­li­ci­ta­ção de aber­tu­ra do cer­ta­me e a pu­bli­ca­ção do edi­tal, sem qual­quer aná­li­se da Pro­cu­ra­do­ria Ju­rí­di­ca, trans­cor­re­ram ape­nas qua­tro ­dias – com um fi­nal de se­ma­na aí in­cluí­do.
  Os apon­ta­men­tos cons­ti­tuem o re­la­tó­rio con­cluí­do no mês an­te­rior com ba­se nos tra­ba­lhos de uma co­mis­são de sin­di­cân­cia ins­tau­ra­da pe­los con­tro­la­do­res em agos­to do ano pas­sa­do. Se­gun­do o con­tro­la­dor-ge­ral, a in­ves­ti­ga­ção te­ve iní­cio a par­tir de re­la­tos de um fun­cio­ná­rio da Di­re­to­ria de Tec­no­lo­gia da In­for­ma­ção (DTI), ór­gão vin­cu­la­do à Se­cre­ta­ria de Pla­ne­ja­men­to (Se­plan), que re­que­reu a li­ci­ta­ção – ven­ci­da pe­la em­pre­sa ­Alias Te­lein­for­má­ti­ca, de Cu­ri­ti­ba. O con­tra­to foi as­si­na­do em 20 de de­zem­bro de 2007.
  A FO­LHA con­ver­sou com o cor­re­ge­dor-ge­ral do Mu­ni­cí­pio, Vi­cen­te Mar­ques, mas ele se ma­ni­fes­tou ape­nas so­bre as su­pos­tas ir­re­gu­la­ri­da­des de frau­de na exe­cu­ção do con­tra­to e au­sên­cia de pre­vi­são no Pla­no Plu­ria­nual (PPA) e no Or­ça­men­to de 2007 pa­ra con­tra­ta­ção do ser­vi­ço. Mar­ques – que acu­mu­la o pos­to de pro­cu­ra­dor-ge­ral – con­si­de­rou as de­nún­cias ‘‘­graves’, mas evi­tou en­trar em por­me­no­res so­bre fun­cio­ná­rios e ex-fun­cio­ná­rios pú­bli­cos in­ves­ti­ga­dos ‘‘a fim de não com­pro­me­ter o re­sul­ta­do do jul­ga­men­to, ao ­final’’.
  A re­por­ta­gem te­ve aces­so ao re­la­tó­rio en­tre­gue ao MP. No do­cu­men­to, os au­di­to­res lis­tam des­de fa­lhas na for­ma­li­za­ção do pro­ces­so de con­tra­ta­ção dos ser­vi­ços a even­tual mal­ver­sa­ção do di­nhei­ro pú­bli­co. No pri­mei­ro ca­so, a re­fe­rên­cia foi à fal­ta de es­pe­ci­fi­ca­ção do ob­je­to con­tra­ta­do: co­mo a em­pre­sa te­ria de for­ne­cer e ins­ta­lar tor­res na cons­tru­ção da re­de, se­quer lo­cais de ins­ta­la­ção, con­di­ções dos ter­re­nos e li­cen­ça am­bien­tal pa­ra tal fo­ram con­si­de­ra­dos. ‘‘Os pro­je­tos bá­si­co e exe­cu­ti­vo tam­bém não apre­sen­ta­ram as­si­na­tu­ra de pro­fis­sio­nais ha­bi­li­ta­dos (co­mo um en­ge­nhei­ro elé­tri­co, por exem­plo)’’, apon­tou ­Dias.
  O or­de­na­men­to de des­pe­sa sem pre­vi­são le­gal – uma vez que o di­nhei­ro não es­ta­va pre­vis­to no PPA do Mu­ni­cí­pio, tam­pou­co no or­ça­men­to 2007 –, a omis­são de fun­cio­ná­rios – da­do o fa­to de que, con­for­me o re­la­tó­rio, as au­to­ri­da­des que par­ti­ci­pa­ram do pro­ces­so li­ci­ta­tó­rio ti­nham co­nhe­ci­men­to de que não ha­via pre­vi­são le­gal pa­ra co­ber­tu­ra da des­pe­sa e não anu­la­ram o pro­ce­di­men­to, ‘‘por de­ver de ­ofício’’ e in­dí­cios de ad­vo­ca­cia ad­mi­nis­tra­ti­va são ou­tras ir­re­gul­ri­da­des lis­ta­das. Es­ta úl­ti­ma se re­fe­re à su­pos­ta prá­ti­ca ado­ta­da pe­los fun­cio­ná­rios que ­eram ges­tor e fis­cal do con­tra­to: atua­riam em de­fe­sa da em­pre­sa, sem pe­di­do for­mal de­la, du­ran­te a con­tra­ta­ção. Nes­se ca­so, os au­di­to­res de­ta­lham ain­da a par­ti­ci­pa­ção um co­mis­sio­na­do da Com­pa­nhia Mu­ni­ci­pal de Trân­si­to e Ur­ba­ni­za­ção (­CMTU), mas as­ses­sor téc­ni­co da DTI, na Se­plan – lo­ta­do ali ir­re­gual­men­te, cons­ta­ta­ram – que te­ria ar­ti­cu­la­do o pro­ces­so de con­tra­ta­ção e exe­cu­ção dos ser­vi­ços. No re­la­tó­rio, uma re­ve­la­ção: ­após a exo­ne­ra­ção, o ex-co­mis­sio­na­do ago­ra pres­ta ser­vi­ços na ­Alias – o que foi con­fir­ma­do em te­le­fo­ne­ma à em­pre­sa, na in­ves­ti­ga­ção da Con­tro­la­do­ria, em 19 de fe­ve­rei­ro pas­sa­do.
  O re­la­tó­rio ­traz ain­da su­pos­ta ‘‘frus­tra­ção do ca­rá­ter ­com-petitivo’’ da li­ci­ta­ção, uma vez que, em ju­lho do ano pas­sa­do, a ad­mi­nis­tra­ção fir­mou um ter­mo adi­ti­vo com a ­Alias que mo­di­fi­cou as con­di­ções de en­tre­ga e pa­ga­men­to dos equi­pa­men­tos – o que não foi ofe­re­ci­do aos de­mais par­ti­ci­pan­tes da li­ci­ta­ção de 2007. Já a ir­re­gu­la­ri­da­de des­cri­ta na for­ma de ‘‘pa­ga­men­tos em de­sa­cor­do com as cláu­su­las ­contratuais’’, tam­bém re­fe­ren­te a adi­ti­vo, com­ple­ta a lis­ta dos au­di­to­res.




SOB INVESTIGAÇÃO


Irregularidades apontadas pela Controladoria Geral do Município de Londrina na licitação de implantação da rede wireless na rede pública de ensino:

1 - Falhas na formalização do processo de contratação dos serviços

2 - Ordenamento de despesa sem previsão legal

3 - Omissão

4 - Indícios de advocacia administrativa

5 - Frustração do caráter competitivo do procedimento licitatório

6 - Pagamentos em desacordo com as cláusulas contratuais

7 - Malversação de dinheiro público

Fonte: Relatório de Auditoria 207/2009

mockup