As informações concedidas por Soraya Garcia envolvendo o ex-ministro chefe da Casa Civil, o deputado federal José Dirceu (PT) soaram como novidade para o delegado da PF, Kandy Takahashi, que há 33 dias preside o inquérito que apura irregularidades na prestação de contas da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT).
Conforme Soraya declarou ontem, na visita que fez a Londrina em apoio à candidatura de Nedson, no dia 18 de setembro de 2004, Dirceu teria trazido R$ 300 mil para a campanha em dinheiro com o lacre do Banco do Brasil. ''(No depoimento prestado à PF) ela citou o nome do ministro José Dirceu mas não disse valores. Disse somente que ele veio para um evento'', afirmou. Takahashi deverá intimar Soraya para um novo depoimento. O Ministério Público (MP) também pretende ouvi-la novamente.
O delegado Takahashi disse que enviou carta precatória para que a agência de turismo Yaktur, de São Paulo, seja ouvida para descobrir quem pagou pela locação de cinco veículos na Avis Rent a Car e que foram usados no segundo turno da campanha em Londrina. Soraya Garcia disse à ''Folha de S.Paulo'' que os carros foram pagos pela SMPB Comunicação, empresa da qual o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza era sócio. A Yaktur teria intermediado a locação.
O promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, também disse que no depoimento prestado por Soraya ao Ministério Público (MP), não há menção ao dinheiro que teria sido trazido pelo ex-ministro.
Sogaiar deve emitir nos próximos dias o parecer sobre o pedido da PF de prorrogação do prazo do inquérito por 60 dias. ''Vamos analisar detidamente o inquérito que veio da PF, verificar tudo o que foi feito até agora e listarmos inúmeras diligências necessárias para a completa elucidação dos fatos'', disse.
Ontem o delegado Fernando Lara foi designado para presidir o inquérito sobre o caixa oficial da campanha petista. Conforme a assessoria de imprensa da PF, Lara deverá instaurar oficialmente o inquérito na segunda-feira. (Com Agência Folha)

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