Curitiba - O Ministério Público federal manifestou-se favoravelmente ao pedido de exumação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário do Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos, o Osvaldinho. O parecer, assinado pela procuradora da República no Paraná, Suzete Bragagnolo, foi encaminhado ontem ao juiz da 2 Vara Criminal Federal, Sérgio Moro. Cabe agora ao juiz decidir se autoriza ou não a exumação. Moro havia solicitado a manifestação do MP federal na semana passada, logo após receber o pedido de exumação e lacre de jazigo feito pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado.
Os deputados da CPI têm dúvidas sobre a identidade do cadáver que, segundo eles, poderia não ser o de Osvaldinho. Se autorizada pela Justiça Federal, a comissão vai fazer um exame de DNA no corpo, comparando as amostras colhidas com material genético de um parente do ex-secretário. Segundo o advogado da família de Osvaldinho, Claudio Colaço, os familiares estão dispostos a colaborar com o exame.
A procuradora esclarece que a CPI, por ter poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, não precisaria de um parecer judicial para pedir o exame. ''A medida solicitada pela CPI prescinde de decisão judicial, não sendo cabível, a rigor, o conhecimento dos pedidos formulados'', afirma ela. Porém, analisando o mérito da questão a pedido da Justiça, a procuradora observa que a CPI levantou ''fundadas dúvidas sobre a morte de Magalhães dos Santos, as quais devem ser sanadas, na medida em que a comissão aponta indícios de participação do ex-diretor da Banestado Leasing em crimes contra o sistema financeiro''.
O relator da CPI, Mário Sérgio Bradock (PMDB), diz que não foram feitas fotos do corpo no local do acidente, procedimento que é praxe nessas situações, além de faltarem documentos que comprovariam a identidade do corpo.
Osvaldinho morreu em um acidente de carro próximo ao município de Palmeira, no feriado de 7 de Setembro de 1998. Ele estava sendo investigado pelo Ministério Público, que apurava prejuízos de R$ 600 milhões ao Banestado, originados em empréstimos feitos a empresas que não tinham condições financeiras de restituir os valores. O corpo está enterrado no Cemitério Iguaçu, em Curitiba. O pedido de exumação foi protocolado na 2 Vara Criminal da Justiça Federal porque lá são julgados os processos relativos ao sistema financeiro.

mockup