MP e Câmara tentam mediar negociação com grevistas
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segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A greve dos servidores municipais de Londrina completa hoje uma semana sem qualquer avanço nas negociações salariais pela reposição de 27% e com a ameaça de que o movimento ganhe força a partir de amanhã, quando a categoria novamente se reúne em assembléia. O Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a agendar uma reunião para mediar uma tentativa de acordo entre as partes, para esta tarde, mas ontem teve de cancelá-la porque não conseguiu localizar o prefeito Nedson Micheleti (PT) nem seus secretários para oficializar o convite.
A reunião com o MPT foi o resultado de um pedido de mediação encaminhado semana passada pelo sindicato que representa os servidores, o Sindserv, ao Ministério Público Estadual (MPE). Sem saber se a reunião de hoje aconteceria ou não, o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, explicou que seria apresentada à Procuradoria do Trabalho uma análise jurídica da entidade sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Seriam expostas ''tentativas de manipulação da lei'' por parte da Prefeitura. ''A LRF fala em medidas necessárias para o caso de se ultrapassar o limite de 54% com gastos com pessoal, como corte de abono, comissionados e gratificações, mas até agora a administração tem feito justamente o contrário'', disse Urbaneja.
O sindicalista comemorou o resultado de uma reunião feita sábado entre diretores do sindicato e o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL). ''Foi importante o encontro, pois levantamos a lista acordada com o prefeito pelo fim da greve de 2005, da qual a Câmara foi testemunha. E a maioria dos tópicos não foi negociada'', comentou.
Bonilha declarou que na sessão de hoje fará uma reunião com os líderes dos partidos para definir como a Câmara vai intermdiar as conversas entre sindicato e Executivo. Mesmo assim, o vereador se mostrou preocupado pela falta de diálogo entre as partes. ''Temos a alegação de que os pontos daquela lista não foram cumpridos pela Prefeitura, e como houve participação nossa em 2005, entendemos que temos de ser um canal de negociação agora. E é preciso também ficarmos atentos ante o prejuízo à comunidade e cobrar das duas partes'', explicou.
De acordo com Bonilha, o Legislativo deve fazer uma análise da prestação de contas municipal do ano passado, via Controladoria da Casa, e propor alguma reunião entre técnicos da Prefeitura e do Sindserv. ''Sabemos que os servidores têm a defasagem salarial e que os rendimentos deles estão comprometidos. Por isso defendemos a necessidade urgente de diálogo'', concluiu.
Em entrevista à Folha semana passada, o prefeito Nedson negou que qualquer dos tópicos pelo fim da greve não tivessem sido cumpridos. Mas a formação de uma comissão permanente de servidores não surtiu resultados práticos na indicação de um índice de reposição.


