MP do Paraná indeciso sobre paralisação
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quarta-feira, 23 de julho de 2003
Andréa Bordinhão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais cautelosos que os juízes estaduais, procuradores e promotores de Justiça do Paraná vão decidir somente após a leitura do relatório final da reforma da previdência, se acompanham ou não o movimento grevista. A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) já havia sinalizado, em assembléia em Brasília com representantes de todos os estados, que a greve seria na mesma data escolhida pelos juízes, de 5 a 12 de agosto. Contudo, no Paraná a decisão só será concretizada na próxima semana. Apesar de crescente, a paralisação do Poder Judiciário continua a receber críticas.
A Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), entidade que representa os 750 procuradores e promotores do Estado, informou que a decisão de aderir ou não à greve será tomada somente na semana que vem porque na sexta-feira haverá troca de toda a diretoria. O atual presidente, Cid Vasques, afirma que o movimento é legítimo, uma vez que a reforma ''vai tornar a Justiça nos estados uma Justiça de segunda classe''. O promotor de Justiça e presidente eleito da APMP, Ivonei Sfoggia, disse que as reivindicações do Poder Judiciário são justas, mas prefiriu não revelar se é ou não a favor de uma greve. ''Não vou emitir opiniões, pois como presidente eleito tenho que acatar o que será decidido na assembléia.''
Em nota oficial emitida pelo Ministério Públio Estadual (MPE), a procuradora-geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, afirmou que prefere não emitir nenhum pronunciamento sobre a paralisação ''antes que o assunto seja discutido na assembléia estadual''. Segundo ela, essa é uma questão associativa. Em uma segunda nota, o MP estadual informou que ''esse indicativo de greve é uma decisão dos presidentes das associações de classe, porém, os chefes institucionais (procuradores-gerais de Justiça) devem se reunir em 1º de agosto para se pronunciar sobre a questão, em encontro do Conselho Nacional de Procuradores Gerais de Justiça (CNPGJ)''.
Quando questionado sobre as acusações de que as reivindicações do Poder Judiciário estadual não passam de privilégios e chantagem ao governo federal, Vasques reagiu. Segundo ele, não são privilégios, mas sim garantias mínimas para que o poder continue independente, assim como também alega a Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar). ''A carreira do Judiciário não tem paralelo no setor privado. Sendo assim, ninguém se interessaria por uma carreira que, ao final, vai render apenas R$ 2,4 mil. Isso desistimularia os bons profissionais a prestarem concursos'', argumentou.


