O Ministério Público (MP) do Pará ingressa hoje na Justiça do Estado, com uma ação de ressarcimento contra o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o segundo suplente dele, Fernando de Castro Ribeiro (PMDB-PA). Os promotores Hamilton Salame, Agar Jurema e João Gualberto Santos querem que Jader devolva R$ 5,1 milhões que teriam sido desviados no (Banpará) no período em que foi governador, na década de 80.
Os valores a serem ressarcidos por Ribeiro equivalem a quase R$ 50 mil. Além dos dois, serão atingidos pela ação a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher de Jader, e o pai de Jader, Laércio Barbalho (PMDB-PA), que é seu primeiro suplente.
A ação, com cerca de 50 páginas, deverá ser a única que atingirá diretamente Jader por causa dos desvios do Banpará, dos quais ele é apontado como um dos beneficiários. O trabalho foi feito por três promotores de Belém e se baseia na nota técnica da 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio Público da Procuradoria- Geral da República, que rastreou diversos cheques administrativos do Banpará que teriam sido usados em aplicações no Rio de Janeiro pelo ex-senador.
O caso prescreverá em dezembro e, até agora, o STF não recebeu nenhum documento complementar requisitado ao TJ do Pará. Os papéis são necessários para o início do inquérito na Polícia Federal.
Se a situação de Jader está praticamente resolvida no caso Banpará, o mesmo não pode se dizer dos inquéritos sobre as fraudes na extinta Sudam e da venda dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs). Se ficar provado que ele estava envolvido, poderá ser denunciado pelo MPF por peculato.
No mesmo caso da Sudam, está envolvido o primo de Jader, deputado federal José Priante (PMDB-PA). Mesmo com os documentos entregues à Câmara pela PF, Priante não foi chamado pela Corregedoria da Casa para explicar o depoimento de cinco empresários que o acusam de ser operador do esquema de fraudes.
Ontem, o presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), comunicou que já foi publicada no ''Diário do Senado'' a renúncia de Jader e que, em razão disso, convocou Laércio para assumir a vaga. Laércio Barbalho, de 83 anos, é jornalista, e confirmou ontem, em Belém, que não assumirá. Ele foi taxativo: ''Meu tempo na política já passou. Não quero mais saber disso.''
Com problemas no coração e sofrendo de diabetes, Laércio disse que comunicará na próxima semana à Mesa Diretora da Casa a intenção de abrir mão dos 15 meses de mandato que teria pela frente. Ele não irá a Brasília, preferindo formalizar por carta a desistência. Fernando de Castro Ribeiro, de 45 anos, o segundo suplente, evitou contato com a imprensa.

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