A vice-governadora Emília Belinati (PTB) recebeu em sua própria conta bancária pelo menos quatro depósitos do dinheiro que teria sido desviado da Prefeitura de Londrina. Este foi o principal argumento que justificou a inclusão do nome da vice-governadora na medida cautelar impetrada anteontem pelos promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin.
Na ação – encaminhada para a 6ª Vara Cível – o Ministério Público pede o afastamento do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), do cargo, a indisponibilidade de bens e quebra de sigilo total (bancário, fiscal e telefônico) de toda a família Belinati – incluindo Emília, mulher do prefeito, e o deputado estadual Antônio Carlos (PSB), filho do casal. Outras 52 pessoas físicas e jurídicas, de ex-secretários municipais a empresas de Londrina e Curitiba, também foram citadas.
Um dos depósitos feitos na conta de Emília Belinati, no valor de R$ 11 mil, foi efetuado pelo ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso. Em depoimento ao MP, Alonso declarou que fez o depósito atendendo solicitação do ex-assessor da prefeitura, Cassemiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’ – que seria o tesoureiro das campanhas de Belinati e um dos principais envolvidos no escândalo AMA-Comurb. Alonso afirmou que o dinheiro fora levantado em licitações fraudulentas na Comurb e serviria para pagar despesas pessoais da vice-governadora.
Na época em que a denúncia de Alonso foi divulgada, Emília Belinati – numa das raras vezes em que se pronunciou sobre a corrupção em Londrina – justificou dizendo que tem conta conjunta com o marido e que o depósito teria sido feito pelo ‘‘outro titular da conta’’ – no caso, o prefeito Belinati.
Comprovantes de outros três depósitos na conta de Emília Belinati, de menor valor, foram encontrados na casa de ‘‘Carlos Júnior’’ durante um mandado de busca e apreensão, há um mês. O nome da vice-governadora também aparece no ‘‘livro-caixa’’ do tesoureiro, apreendido na ocasião, e que mostraria a movimentação do dinheiro desviado da Comurb. Na mesma operação, os promotores descobriram cinco comprovantes de depósitos na conta do prefeito e um na de Antônio Carlos.
A campanha da vice-governadora em 1998 também teria sido beneficiada com dinheiro desviado da Comurb. Os recursos ainda teriam financiado parte da campanha de Antonio Carlos e dos deputados federais José Janene (PPB) e Alex Canziani (PSDB). Eles negam as acusações.
O MP também investiga a evolução patrimonial da família Belinati. Entre 1998 e 1999, os Belinati compraram um apartamento de 750 metros quadrados no Edifício Arkádia, em Londrina; um terreno de 112 mil metros quadrados ao lado da chácara da família; e outro apartamento em Curitiba. Os negócios totalizaram R$ 1,2 milhões. Os imóveis foram transferidos para o nome dos filhos Antônio Carlos, Cyntia e Simone Belinati. Posteriormente, o apartamento de Londrina e o terreno foram repassados para terceiros. As irmãs prestaram depoimento ao MP na semana passada.

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