Curitiba - Uma fraude que causou prejuízos de pelo menos R$ 800 mil poderá resultar em mudanças na forma como o governo do Estado libera diárias para viagens de servidores. Segundo a promotora Adriana Vanessa Rabelo Câmara, da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, a falta de controle sobre a liberação do dinheiro pode ter facilitado a atuação de um grupo de seis funcionários públicos que teriam desviado dinheiro das diárias na Secretaria de Estado da Educação (Seed). ''Ainda estamos investigando a situação. Quando tivermos esse levantamento concluído podemos expedir uma recomendação para que o Estado tenha mais controle sobre essas diárias'', adiantou.
A promotora explica que desde 2004 o governo estadual determinou que em viagens que não envolvam despesas de deslocamento com veículos do Estado os servidores não precisam prestar contas das diárias. ''A prestação de contas consistia apenas na apresentação dos comprovantes de saque'', explica. Na fraude investigada pelo MP seis servidores usavam viagens fictícias para receber valores relativos a diárias.
O caso de desvio de recursos começou a ser investigado pelo MP depois que um grupo de servidores denunciou o esquema. Segundo o diretor-geral da Seed, Altevir Rocha de Andrade, uma sindicância foi aberta no órgão depois que parte dos cargos de chefia da instituição foi trocado em abril, após a saída de Roberto Requião (PMDB) do governo. ''Notei que havia uma quantidade desproporcional de diárias sendo cobradas'', conta.
O relatório da sindicância da Seed aponta desvios de R$ 500 a 600 mil, mas segundo o MP o prejuízo pode chegar a um milhão. ''A investigação deles engloba fatos ocorridos em 2009 e começo de 2010, mas há indícios de que houve desvios desde 2007'', adianta.
Ontem o governo do Estado anunciou que vai realizar uma auditoria nas diárias emitidas pelas secretarias da Saúde, Agricultura, Meio Ambiente e Trabalho desde 2007. Essas seriam as pastas que mais gastaram em viagens nesse período.

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