Curitiba - As denúncias de má-gestão de recursos públicos na construção do Parque da Barragem, em Foz do Iguaçu, devem ser investigadas pelo Ministério Público estadual. O sub-procurador-geral do MP para Assuntos Jurídicos, Lineu Kirchner, solicitou o processo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os documentos ainda não foram encaminhados ao MP.
As obras, projetadas para a realização dos Jogos Mundiais da Natureza, através de convênio entre as pastas do Meio Ambiente e do Esporte e Turismo, em 1997, foram alvo de investigação no TCE. As apurações culminaram na condenação do ex-secretário do Meio Ambiente Hitoshi Nakamura a devolver R$ 12 milhões aos cofres públicos.
O ex-secretário apresentou recurso aos conselheiros. Com base nesta defesa, o conselheiro Quiélse Crisóstomo da Silva elaborou um relatório inocentando Nakamura. O mesmo parecer responsabiliza pelos desvios, indiretamente, o ex-secretário do Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos morto há cerca de quatro anos em um acidente de carro. O relatório está nas mãos do conselheiro Nestor Baptista, que pediu vistas. Por enquanto, não há data prevista para o julgamento.
De acordo com Baptista, caso o relatório de Crisóstomo com 40 páginas seja aprovado em plenário, a condenação anterior a Nakamura acaba invalidada. ''Mas o Ministério Público pode investigar o caso, independente disso'', afirmou.
Na avaliação de Crisóstomo, Nakamura não poderia ter sido condenado a devolver os recursos porque obras foram executadas, apesar de não concluídas. Ele disse que visitou o local e, pelo porte da construção, a obra consumiu os cerca de 12 milhões.
Baptista, no entanto, continua firme na sua posição. Ele acredita que a responsabilidade pelos desvios seria da Secretaria do Meio Ambiente. Segundo ele, o controle dos recursos era feito pela pasta de Nakamura. Nestor Baptista foi o autor da denúncia relativa às obras do Canal da Barragem, com base em informações da 2 Inspetoria de Controle Externo do TCE.
O pai do ex-secretário Osvaldo Guimarães dos Santos, o deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL), foi procurado pela Folha para comentar o assunto, mas não retornou a ligação. Segundo sua assessoria, o deputado estava em São Paulo, tratando de assuntos particulares. Nakamura, hoje coordenador de Projetos Especiais na Universidade Livre do Meio Ambiente, também foi procurado pela reportagem, mas não deu retorno.

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