O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Sérgio Galatti, vai requisitar abertura de inquérito policial para investigar a prática de grampo em telefones da reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Fitas cassete apreendidas na reitoria da UEL contêm conversas que foram obtidas através de escutas telefônicas ilegais, como já constatou o Instituto de Criminalística (IC). A decisão do promotor foi tomada ontem de manhã, depois que o chefe de gabinete da reitoria, Itaicy Mendonça, prestou depoimento sobre as denúncias de irregularidades na UEL.
‘‘Vários aspectos das declarações de Itaicy ainda permanecem em sigilo’’, afirmou Galatti. ‘‘Sobre a notícia de grampo na universidade, ele manifestou completo desconhecimento desta situação; estamos aguardando o laudo da Polícia Técnica e, com base nas declarações de Itaicy, teremos que requisitar instauração de inquérito policial’’, acrescentou.
O promotor aguardava para ontem o laudo do IC sobre as fitas apreendidas na reitoria, porém, até o final da tarde o documento não havia sido entregue. Galatti está de férias a partir de hoje e deve retornar ao trabalho na semana que vem. O delegado do 3º Distrito Policial (DP), Carlos Marcelo Sakuma, informou que deve receber o laudo hoje de manhã. Ele investiga o furto de computadores na UEL e participou da apreeensão das fitas na universidade.
Após prestar depoimento ao Ministério Público (MP), Itaicy deixou o Fórum calado. Seu advogado, Francisco Barbosa, também não quis falar sobre as declarações do chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa. Itaicy, que está afastado do cargo, afirmou a Galatti que está enfrentando problemas de saúde e colocou sua declaração de rendas à disposição da promotoria.
Quanto ao pedido de quebra de sigilo bancário, Itaicy disse que vai analisar a situação. ‘‘Foi solicitada autorização para a quebra, ele ficou de estudar se autoriza ou não o Ministério Público a proceder esse levantamento’’, explicou Galatti.
De acordo com o promotor, em seu depoimento Itaicy também negou as acusações de que teria pedido comissão a uma empresa do setor de turismo, que presta serviços à UEL. A denúncia partiu do ex-vice-reitor Márcio Almeida, que disse ter ouvido conversas em que Itaicy pedia comisão a empresários. Uma suposta vítima teria entregue uma fita ao MP, que conteria insinuações de pedido de dinheiro feito por Itaicy. Galatti afirma que esse assunto está sob sigilo.
Ainda durante o depoimento, Itaicy negou a acusação do apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá, que o acusou de ter recebido um estorno, no valor de R$ 7,4 mil. O recurso seria referente a um contrato publicitário entre a UEL e a Rádio Nova Ingá, do ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira. Mello garante que o cheque, entregue a Itaicy, foi depositado em uma conta, mas voltou duas vezes por falta de fundos. O valor teria sido pago depois.
‘‘Ele disse que desconhece por completo a situação’’, resumiu o promotor. Galatti possui a cópia bancária indicando em que conta foi efetuado o depósito. Ele está tentando localizar o titular da conta e chamá-lo para prestar explicações. Segundo o promotor, o conteúdo do depoimento de Itaicy vai permanecer em sigilo para não atrapalhar as investigações.

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