Fabio Diamante
Agência Estado
De São Paulo
O Ministério Público Estadual (MPE) determinou ontem a instauração de inquérito policial para investigar a gestão de Paulo Maluf (PPB) na Prefeitura de São Paulo (1992-1996). O alvo das investigações são as obras realizadas no período, em especial o Túnel Ayrton Senna e a Avenida Água Espraiada, na zona sul.
Promotoria e Polícia Civil buscam indícios de crimes de peculato (apropriação de bem público) e corrupção passiva. O assessor de imprensa de Maluf, Adilson Laranjeira, disse que o ex-prefeito considera ‘‘ótima’’ a instauração do inquérito. Segundo ele, será provado, pela terceira vez, que as obras não têm irregularidades. ‘‘Trata-se de uma denúncia requentada’’, afirmou Laranjeira.
O inquérito foi instaurado por determinação do promotor Paulo Juricic, secretário da 2ª Promotoria Criminal. Ele foi designado pelo procurador-geral de Justiça, José Geraldo Brito Filomeno, para acompanhar as investigações.
O promotor disse ontem que serão ouvidas testemunhas no inquérito, além de ser realizada perícia contábil nas obras de Maluf. Uma das formas de superfaturar as construções seria exagerar o Fator K, um índice de correção utilizado pela prefeitura no caso de prorrogação contratual.
Juricic quer que a testemunha anônima apresentada pela imprensa, no dia 12, seja interrogada pela polícia. A testemunha, ex-funcionário de uma empreiteira, acusa Maluf e o ex-secretário de Obras Reynaldo de Barros de terem recebido, respectivamente, R$ 100 milhões e R$ 30 milhões como propina pelas obras.
Juricic afirmou que a testemunha será ouvida mesmo que não queira se identificar. ‘‘Apesar de testemunha que não se identifica ser meia testemunha’’, comentou o promotor. Também será investigada a existência de empresas fantasmas. Uma delas é a Lavicen Construções e Locações de Máquinas, que emitiria notas frias para empreiteiras que participaram das obras.

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