MP denuncia vereadores e empresários por corrupção
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terça-feira, 02 de dezembro de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá - O Ministério Público (MP) Estadual, em Maringá, protocolou ontem denúncia contra os vereadores João Alves Correa (PMDB), presidente da Câmara de Vereadores de Maringá e Devanir Moreno Tozali (PST) por corrupção passiva. O funcionário municipal Josemar Aparecido de Lima, assessor de Correa, também foi denunciado pelo mesmo crime. O MP denunciou ainda os empresários Aquedemir Pastrelo e José Luiz, sócios proprietários da empresa Santa Maria Loetadora S/C Ltda, de Arapongas, pelo crime de corrupção ativa.
De acordo com a denúncia do MP, os dois vereadores teriam procurado os empresários em junho deste ano e pedido R$ 150 mil para trabalharem pela revogação da Lei Municipal 5.471/2001 que autoriza o tombamento do prédio da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, localizado no centro de Maringá. Com a revogação da lei, os empresários seriam favorecidos uma vez que pretendiam comprar o terreno e construir um shopping center no local.
O pagamento da propina, conforme o MP, teria ocorrido em duas parcelas. A primeira no dia 10 de junho, quando o funcionário Josemar Aparecido de Lima esteve em Arapongas e, acompanhado dos empresários esteve em uma agência bancária da cidade para sacar R$ 75 mil. O dinheiro foi entregue a Lima que depois repassou o montante para o presidente da Câmara de Maringá. A segunda parcela de R$ 75 mil teria sido paga pelo empresário Aquedemir Pastrelo ao vereador Devanir Moreno Tozali no dia 12 ou 13 de junho, também em Arapongas.
No dia 12 de junho, Correa entrou com o projeto de lei nº 6.252/2003 para revogar a lei municipal que previa o tombamento do prédio. A partir da denúncia do MP, será instaurado inquérito para apurar os fatos e os vereadores, assim como os empresários e o funcionário municipal, podem ser condenados a oito anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e ativa.
O vereador Devanir Moreno Tozali disse ontem à Folha que não estava em Maringá e que não tinha conhecimento da denúncia. Já o presidente da Câmara, João Alves Correa disse que a denúncia não tem ''cabimento''. ''Não sei em que a promotoria se baseou para fazer a denúncia até porque os próprios empresários negaram este tipo de pagamento'', disse. Os empresários Aquedemir Pastrelo e José Luiz foram procurados pela reportagem, mas não retornaram a ligação.


