MP denuncia vereador de Curitiba por peculato
Curitiba - O vereador curitibano Elias Vidal (PFL) foi denunciado pelo Ministério Público (MP) estadual por peculato e furto qualificado por abuso de confiança. A denúncia foi protocolada pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público no último dia 29 de maio e está na 4 Vara Criminal. Além de Elias Vidal, foi denunciado seu filho Ednilson Marcos Vidal, que trabalha como assessor parlamentar.
De acordo com os levantamentos feitos pelo MP, o vereador teria nomeado no início do primeiro mandato para o cargo de assistente parlamentar Amarildo Aparecido de Souza, que era balconista de uma lanchonete no Bairro Bacacheri de propriedade de Elias Vidal. Interrogado pelo MP, Souza revelou que nem sabia da contratação para trabalhar na Câmara Municipal. Com as cópias dos documentos do balconista, o vereador e o filho teriam providenciado a abertura de uma conta corrente no Banestado onde seriam depositados os salários mensais de Souza. A conta, no entanto, era movimentada por Ednilson Vidal. Teriam sido desviados dessas contas, pelos cálculos do MP, R$ 165,8 mil.
A nomeação de Arielzo Carlos Valentim para o cargo de assistente parlamentar também consta na denúncia. Arielzo, sobrinho de Elias Vidal, fazia trabalhos de rua, visitando bairros e catalogando as necessidades de cada região. Quem fazia a movimentação bancária da conta de Arielzo era o filho do vereador, que ficou com o cartão bancário. De janeiro a outubro de 1997, Arielzo recebeu R$ 300,00 mensais a título de salário. A diferença, cerca de R$ 28,5 mil, teria ficado com o vereador e seu filho. Arielzo só descobriu o fato em setembro de 1997, quando verificou que deveria receber mensalmente R$ 3 mil. No dia 23 de outubro do mesmo ano, Arielzo alterou a senha do cartão e sacou o salário de R$ 3,4 mil. Um mês depois, foi exonerado do cargo.
Também faz parte da denúncia do MP, a contratação da sobrinha de Elias Vidal, Rosicléia Valentim, em março de 2002. Ela, que também foi denunciada, foi nomeada para exercer o cargo de assistente parlamentar e sabia da contratação. Ela nunca assumiu o cargo. Trabalhava como diarista em casas de família e duas vezes por semana limpava a residência do vereador, no Jardim Social. Dela, foram desviados um total de R$ 2,3 mil.
Como Elias e Ednilson Vidal são funcionários públicos, o juiz vai analisar se recebe a denúncia após a defesa preliminar. A reportagem da Folha tentou falar com os denunciados, mas não conseguiu localizá-los.
A denúncia contra Vidal é mais um investida do MP contra a apropriação de salários de laranjas por vereadores. O MP já entrou com ação similar contra Aparecido Custódio da Silva. O caso virou processo e Custódio está preso desde outubro do ano passado, acusado de embolsar parte dos salários de funcionários de seu gabinete. (L.P.)





