MP denuncia mandante de crime
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segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Agência Estado 
Belo Horizonte - O fazendeiro e candidato a prefeito de Unaí (MG) pelo PSDB, Antério Mânica, foi denunciado ontem pelo Ministério Público Federal como mandante do assassinato de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho. Os auditores Nelson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves e o motorista Ailton Pereira de Oliveira foram executados a tiros, dia 28 de janeiro, em emboscada.
Os procuradores responsáveis pelo caso apresentaram um aditamento à denúncia oferecida no dia 30 de agosto, que foi acatada pelo juiz Francisco de Assis Betti, titular da 9 Vara da Justiça Federal. O depoimento do réu foi marcado para a próxima quinta-feira. Antério é irmão de Norberto Mânica, indiciado pela Polícia Federal como o principal mandante dos crimes.
Os Mânica são grandes produtores de grãos no noroeste mineiro. A exemplo de seu irmão, Antério foi denunciado pelos crimes de homicídio doloso qualificado e frustração fraudulenta de direitos assegurados na legislação trabalhista. Ambos estão presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, com outros sete acusados de envolvimento na chacina.
A principal suspeita que pesa sobre Antério, segundo o MPF, é a informação surgida durante as investigações de que um veículo Fiat Marea de cor escura teria seguido no dia 27 de janeiro, véspera do crime, o carro do denunciado José Alberto de Castro num suposto encontro com os executores. Neste mesmo dia, uma fazenda de Antério teria sido fiscalizada pelos auditores do Ministério.
Na quinta-feira da semana passada, em depoimento à Justiça, Norberto Mânica confirmou que sua cunhada, Bernardette Mânica, era proprietária de um veículo dessa marca.
Outro indício que levou à sua prisão, conforme o MPF, foi o fato de ele ter telefonado no dia dos crimes para a Subdelegacia Regional do Trabalho em Paracatu, indagando sobre a chacina e com a especial preocupação em saber se todos os funcionários haviam morrido. Os procuradores acreditam que o fazendeiro estaria tentando se certificar das execuções.


