MP denuncia lavagem de dinheiro
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
A Justiça Federal deve receber amanhã o resultado das investigações do primeiro dos 213 inquéritos apurados pelo Ministério Público Federal em Foz do Iguaçu sobre crime organizado. São investigadas, na região da tríplice fronteira, denúncias de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, envolvendo servidores públicos, bancos e agências de câmbio que atuam na área.
Do inquérito levantado pela Procuradoria da República local consta uma lista com 10 suspeitos, entre eles empresários estrangeiros, gerentes de banco e funcionários, proprietários de agências de câmbio e turismo e alguns laranjas.
Até as denúncias serem acatadas pela Justiça Federal, os nomes não serão divulgados, mas se sabe que todos são acusados de vários crimes (falsificação de documentos, falsidade ideológica e formação de quadrilha), o que evidencia a livre circulação de dinheiro ilícito nas chamadas contas CC-5, utilizadas para a remessa de divisas ao exterior.
As denúncias envolvem ainda lavagem de dinheiro, feita por várias agências bancárias de Foz do Iguaçu, supostamente ligada ao narcotráfico na fronteira.
Segundo o procurador da República Néviton Guedes, responsável pelo processo, junto com a entrega das denúncias à Justiça, será encaminhado também o pedido de prisão preventiva dos suspeitos. Ele disse que é impossível esperar mais, pois muitos dos envolvidos já desapareceram da cidade, enquanto outros continuam agindo na fronteira tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo.
Precisamos mostrar a essas pessoas que as investigações vão acabar resultando na prisão delas, afirmou Guedes, lembrando que o primeiro conjunto de denúncias a ser entregue é apenas a ponta do iceberg, pois nos últimos três anos foram investigadas mais de 2 mil pessoas.
Para o procurador, a demora das investigações se deve ao trabalho de pessoas especializadas em assuntos internacionais e financeiros, envolvendo peritos fiscais e analistas econômicos.
Técnicos rastrearam os depósitos em dinheiro, distribuídos em centenas de contas. Não estamos investigando uma pessoa que tenta atravessar a fronteira com uma bolsa cheia de dólares. Estamos falando de uma quadrilha organizada. Gente que precisa ser cercada por todos os lados, explicou Guedes.





