Rio - Através da Operação Segurança Pública S/A, a Polícia Federal e a Procuradoria Regional da República do Rio prenderam ontem o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe de Polícia Civil dos governos de Anthony Garotinho e de sua mulher, Rosinha Matheus. Lins é apontado como chefe de uma quadrilha que usava a Polícia Civil para receber favores. O deputado, alguns familiares e sete policiais foram denunciados pelos crimes de corrupção, facilitação de descaminho (mercadorias importadas sem pagamento de impostos) e contrabando, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada. Na mesma denúncia, foi incluído o ex-governador Anthony Garotinho pelo crime de formação de quadrilha desarmada.
Segundo os procuradores regionais da República Mauricio da Rocha, Paulo Fernando Correa e Cristina Romano, Garotinho mantinha Lins à frente da Polícia Civil, mesmo sabendo do seu envolvimento em crimes. Os procuradores, porém, garantiram não ter sido provado que o ex-governador tenha se beneficiado da situação. Eles também entenderam ''por bem não incluir nesta grave acusação de organização criminosa, porque não há nada contra ela no que foi coletado até agora'', a ex-governadora Rosinha Matheus.
Além de Lins e Garotinho, foram denunciadas 14 pessoas. Oito são policiais ligados ao ex-chefe de Polícia, três deles delegados de Polícia Civil - Ricardo Hallak, que o substituiu Lins no cargo de chefia, Luiz Carlos Santos e Daniel Goulart - e cinco inspetores e detetives. Entre os parentes de Lins, foram denunciados sua mãe, Amélia, a atual mulher, Sissy, o pai dela, Francis Bullos (vereador da cidade de Barra Mansa), a mulher dele, Vanda de Oliveira Bullos, a avó de Sissy, Maria Canali Bullus, e a ex-mulher do deputado Luciana Gouveia dos Santos. Segundo os procuradores e a Polícia Federal, todos serviram de laranja ao parlamentar na lavagem do dinheiro que teria recebido através da corrupção. Ele comprava imóveis e outros bens em nome desses parentes.
Por ter mandato político, Lins só pôde ser preso em flagrante delito por crime inafiançável. A polícia o prendeu alegando que, por residir em um imóvel comprado com recursos de que não dispunha por meios legais, ele estaria praticando lavagem de dinheiro. O apartamento, adquirido em 2005 em nome de Maria Canali, custou R$ 1,392 milhão e Lins recebia menos de R$ 8 mil como chefe de Polícia. A investigação mostrou que a avó de Sissy, Maria Canali Bullus, desde 1998 era isenta na Receita Federal e, a partir de 2002, foi incluída como dependente do filho. Também foram presos por lavagem de dinheiro o sogro de Lins, Francis, e sua ex-mulher , Luciana.

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