MP denuncia ex-secretário e ex-vice-prefeito
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terça-feira, 10 de agosto de 2004
Leandro Donatti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) federal denunciou ontem o ex-chefe da Casa Civil do Paraná e ex-presidente do Conselho do Banestado Giovani Gionédis como ''o mandante de crimes de gestão fraudulenta e formação de quadrilha''. De acordo com a denúncia, assinada pelos procuradores da República que integram a força-tarefa que investiga a remessa de divisas através de contas CC-5 (para não residentes), os crimes ocorreram entre 1996 e 1998 e já foram denunciados pelo MP federal em maio do ano passado.
Conforme as investigações da força-tarefa, Giovani Gionédis, em associação com outras 12 pessoas, geriu fraudulentamente o Banestado por meio de concessões de empréstimos irregulares a quatro empresas: A.T. Computação Gráfica Ltda, Documenta Produções Cinematográficas Ltda., Estúdios Unidos Comunicação e Marketing S/C Ltda. e Planurb Construção e Pavimentação.
As três primeiras empresas, de publicidade, têm em comum relações com o ex-vice-prefeito de Curitiba e ex-deputado estadual Algaci Osmário Túlio. A A.T. Computação Gráfica foi registrada como propriedade de Algaci e seu filho, Marcelo Giovani Túlio. A Documenta Produções tinha Algaci Túlio como avalista. E a Estúdios Unidos pertencia aos mesmos sócios da Documenta Produções. A Planurb foi usada para a simulação de um empréstimo à Documenta Produções. Túlio, que hoje é o coordenador do Procon do Paraná, não quis comentar o caso ontem à noite. Disse que não pretende se manifestar sobre o assunto e só fala através de seu advogado, Júlio Militão.
De acordo com a denúncia do MP federal, com o aval de Gionédis, no período entre 1996 e 1998, foram concedidos empréstimos às três empresas de publicidade no valor total de R$ 2,39 milhões. As taxas de juros para o pagamento estavam muito abaixo do mercado (entre 2% e 4% ao mês, dependendo da operação) e, como garantia aos empréstimos, eram oferecidas duplicatas simuladas. No final da negociação, 71,49% da dívida foi perdoada (em descontos diretos e indiretos). Desta forma, o Banestado teve um prejuízo de R$ 1.709.692,46.
Procurado pela Folha, o ex-secretário de Jaime Lerner (PSB) disse que nunca autorizou empréstimo em nome do Banestado privatizado em 2000 e vendido para o Itaú em favor de Algaci Túlio, apesar de pertencerem ao mesmo grupo político na época. Túlio era vice de Cassio Taniguchi (PFL), aliado de primeira hora de Lerner. ''Em 1996 (ano de eleição), eu era chefe da Casa Civil. Virei secretário de Fazenda (quando passou a acumular o comando do Conselho do Banestado) em julho de 1997. Não poderia como chefe da Casa Civil interferir no Banestado.'' Gionédis alegou ainda que existe um processo sobre esses empréstimos tramitando na 3 Vara Criminal Federal em Curitiba e que seu nome foi excluído.


