O Ministério Público (MP) denunciou na última sexta-feira o ex-prefeito de Maringá Said Ferreira (sem partido) por improbidade administrativa, pelo desvio de R$ 23,9 milhões durante o período de 1993 a 1996. Apesar de não ter encontrado nenhum valor desviado em contas particulares de Ferreira, o MP tomou a iniciativa alegando negligência e imprudência do ex-prefeito. Na avaliação do promotor de Defesa do Patrimônio Público, José Aparecido da Cruz, como chefe do Executivo, Ferreira era autoridade competente para escolher os assessores e ordenar despesas.
O promotor levou em conta também as declarações do ex-secretário de Fazenda do município Luis Antônio Paolicchi, durante depoimento em processo criminal na Justiça Federal de Maringá, em fevereiro deste ano. Acusado de comandar o esquema de desvios na prefeitura e preso desde dezembro do ano passado, Paolicchi disse que Ferreira ordenava os desvios. Além de Ferreira e Paolicchi, a ação cita ainda outras 11 pessoas e uma empresa supostamente beneficiada pelos desvios.
Foram incluídos os outros dois secretários de Fazenda do período, Rubens Weffort e Osmar Bento Zaninello, a servidora Rosimeire Castelhano Barbosa, o doleiro Alberto Youssef, de Londrina, Olga Youssef Solaviov, Cristina Fernandes da Silva Costa, Paulo Cesar Stinguer, Eroni Miguel Peres, Juan Carlos Garcia Bobadilla, Ana Rita Maia Paes, Nilse Maria Barcarolo Gavazzoni e Maia Representações.
O maior volume de desvios, mais de R$ 4 milhões, foi feito em nome de pessoas e empresas não identificadas ou que não tinham nenhum envolvimento no esquema. O maior valor identificado entre os citados foi de Youssef, que teria movimentado cerca de R$ 3,6 milhões entre 1995 e 96. O valor corrigido até junho passado chega a R$ 7 milhões.
Segundo o MP, a empresa Proserv, que pertence a Peres e Stinguer, e que ‘‘administrava valores’’ para Bobadilla, teve R$ 3,5 milhões identificados em cheques desviados da Prefeitura de Maringá, também entre 95 e 96. O valor atualizado chega a R$ 6,7 milhões. O próprio Bobadilla teve cheque nominal do município em 1996 no valor de R$ 196 mil.
O que chamou a atenção do MP foi o envolvimento da cunhada de Youssef, Cristina, que mora em Paranacity, era vendedora de cachorro-quente em Londrina e tem renda familiar mensal em torno de R$ 300. O nome dela está em cheques emitidos na mesma época dos demais e somam R$ 900 mil – R$ 2 milhões atualizados.
Além de defender a devolução dos valores corrigidos e da indisponibilidade dos bens de alguns dos citados, o MP pede ainda a suspensão dos direitos políticos de todos os acusados por oito anos, a proibição de contratar com o Poder Público ou perda da função no caso de servidor público e multa de duas vezes o valor de cada um. Caberá ao juiz da 1ª Vara Cível, Mário Setto Takeguma, decidir se acata ou não a denúncia. Na 1ª Vara Cível tramitam outras duas ações com o mesmo teor propostas pelo Ministério Público.

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