O Ministério Público (MP) de Foz do Iguaçu ofereceu denúncia ontem contra o ex-prefeito Harry Daijó (PPB), dez ex-secretários, além de um antigo diretor de Recursos Humanos da prefeitura. Eles são acusados de envolvimento em contratações irregulares que custaram mais R$ 8,16 milhões aos cofres públicos. A promotoria pede indisponibilidade de bens e quebra de sigilo bancário de todos, além de suspensão de direitos políticos de Daijó e de dois ex-secretários por oito anos.
A denúncia foi feita pelo promotor Luiz Francisco Barletta Marchioratto, depois de passar 40 dias analisando relatório produzido durante auditoria nas contas públicas entre janeiro e março. Segundo a ação civil pública, foram identificadas 1.462 pessoas recebendo salários irregulares via Recibo de Pagamento de Serviços (RPA). Estão na lista parentes dos 12 envolvidos.
Na ação civil, Marchioratto incluiu gráficos apontando superfaturamento nos contratos, lista de bens dos envolvidos e ainda trechos dos depoimentos onde aparecem diversos secretários admitindo que sabiam das contratações ilegais. ‘‘O RPS foi utilizado como instrumento eleitoral’’, comentou o promotor de Foz do Iguaçu.
O MP também pede pagamento de multa individual equivalente a R$ 16,3 milhões. Caso a Justiça acate a denúncia, o ex-prefeito também deve responder processo por falsidade ideológica. ‘‘Em resposta a um ofício emitido pela Câmara de Vereadores, Daijó escreveu que não havia nenhuma contratação por RPS na prefeitura, exatamente o oposto do seu depoimento’’, explicou. Segundo um depoimento, Daijó teria dito que ‘‘assinou o ofício sem ler’’. Em caso de condenção, a pena prevista é de um a cinco anos de prisão.
A Folha procurou o ex-prefeito e os ex-secretários, mas foi informada que os citados devem aguardar notificação oficial da Justiça antes de se pronunciarem. A assessoria jurídica de Daijó disse ainda que ontem ele estaria viajando.
Além de Daijó, foram denunciados Antonio Sadi Buzanelo (ex-secretário de Saúde), Adevilson de Oliveira Gonçalves (Administração), Coiti Suzuki (Fazenda), Alenir Inácio da Silva (Educação), Paulo Noboru Ynoue (Governo e Foztrans), Adilson Ramires Rabelo (Meio Ambiente), Carlos Juliano Budel (Obras), Inelci Savaris (Criança), Irani Garcia (Ação Social), Jorge Elias (Recursos Humanos) e Ataliba Ayres de Aguirra Filho (Procuradoria-Geral).

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