MP denuncia ex-deputado por contas de 1998
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sábado, 05 de agosto de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Supostas irregularidades na prestação de contas da campanha de 1998, do então candidato a deputado estadual Antonio Carlos Salles Belinati (hoje no PP), são alvo de uma ação penal que tramita na 157 Zona Eleitoral de Londrina.
Segundo a Folha apurou com exclusividade, no último dia 2 o juiz Luis Sérgio Swiech acatou a denúncia protocolada pelo Ministério Público (MP) Eleitoral, com base em um inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF), em janeiro de 2002. Conforme a ação, assinada pelo promotor Cláudio Esteves, Antonio Carlos e Kakunen Kyosen - que assina a prestação de contas entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) como contador - teriam omitido recursos arrecadados e despesas efetuadas durante a campanha.
Conforme a prestação de contas de Antonio Carlos - que exerceu o mandato entre 1999 e 2002, e que disputa novamente o cargo nestas eleições -a campanha teria arrecadado R$ 197,5 mil e utilizado R$ 197,4 mil. No entanto, de acordo com a ação, um sistema de anotações das receitas e despesas feito por Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, apreendido pelo MP em abril de 2000 durante as investigações do escândalo AMA-Comurb, traria valores correspondentes à campanha de Antonio Carlos e que não constaria na prestação de contas entregue ao TRE. Em depoimento concedido em um processo na 4 Vara Criminal, Zavierucha admitiu a existência das anotações referentes à movimentação financeira da campanha de Antonio Carlos, que teriam sido preenchidas de próprio punho.
Entre esses valores que teriam sido omitidos da Justiça Eleitoral, a ação destaca duas prováveis doações à campanha registradas na chamada ''lista de Zavierucha'', pelo então secretário Municipal de Fazenda Ismael Mologni, e pelo ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan.
A ação relata que em setembro de 1998, Mologni teria entregue a Zavierucha R$ 355 mil e Pavan, R$ 400 mil. Os R$ 755 mil, conforme denuncia o MP, teriam sido obtidos através de um empréstimo no Banestado. O MP também relaciona cerca de R$ 155 mil que constariam na lista de Zavierucha como pagamentos de serviços prestados à campanha e que não teriam sido declarados.
Antonio Carlos disse não ter conhecimento da ação. Ele também disse não recordar de fatos relacionados a 1998 e nem de que forma Zavierucha teria atuado na campanha. ''Não me recordo da participação dele nesse sentido (movimentação financeira). Ele era secretário do meu pai (Antonio Belinati)'', disse.
O advogado de Kyosen, Ronaldo Neves, disse que somente poderá se manifestar após tomar conhecimento da denúncia.
A ação pede a condenação de Antonio Carlos e Kyosen com base no artigo 350 do Código Eleitoral e artigo 29 do Código Penal. Os depoimentos de testemunhas arroladas pelo MP ainda não foram agendados.


