O Ministério Público (MP) de Maringá denunciou ontem um forte esquema que vinha sendo mantido pelo prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido) com dois jornais da cidade, em operações fraudulentas que contavam com a participação de agências de publicidade e teriam tirado mais de R$ 3 milhões do município. O novo escândalo levou o MP a propor mais uma ação de improbidade administrativa contra Gianoto, para denunciar o que considera gastos irregulares com publicidade, propaganda e imprensa.
Gianoto está afastado do cargo por decisão da Justiça e sofre outra ação do MP, proposta em outubro, depois que foram encontrados depósitos de R$ 549 mil, da prefeitura, em sua conta. Os depósitos teriam sido feitos pelo seu ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi. O ex-secretário está preso, e pode ter desviado R$ 100 milhões.
A ação de ontem, com pedido de liminar para indisponibilidade de bens, está nas mãos da juíza Liéje Aparecida de Souza Gouveia Bonetti, da 4ª Vara Cível, e envolve outras sete pessoas, além de Gianoto: Franklin Vieira da Silva (proprietário do ‘‘Diário do Norte do Paranᒒ), Verdelírio Barbosa (do ‘‘Jornal do Povo’’), Ezio Coelho Ribeirette (dono da Net 5), Paulo Sérgio Querino (da Nossa Propaganda), Henri Jean Viana (‘‘Francês’’, assessor de Imprensa da prefeitura), Arnaldo Romualdo Martins (chefe de Gabinete) e Adevanir Alves Ferreira (secretário de Administração).
De acordo com o promotor José Aparecido Cruz, o esquema funcionava a partir da licitação de uma agência de publicidade. A prefeitura pagava pelo contrato global e dias depois extornava parte do crédito. Com o dinheiro ‘‘em caixa’’, o município, através da assessoria de imprensa e do gabinete do prefeito, individualizava pagamentos. Eram feitos ‘‘contratos verbais’’ para a veiculação de notícias produzidas pela assessoria do prefeito.
O MP cita como exemplo de irregularidade, o pagamento de R$ 938 mil à Nossa Propaganda com o extorno 12 dias depois de R$ 550 mil. Em outro contrato, feito com a Net 5, a prefeitura pagou R$ 794 mil e também dias depois extornou R$ 341 mil. O procedimento é considerado suspeito.
Segundo o MP, todas as informações veiculadas pagas com o dinheiro da prefeitura tinham o objetivo claro de promover a imagem de Gianoto. Na ação de 37 volumes, a promotoria junta até uma tabela com o monitoramento de publicações em jornais locais. Todas as ‘‘notícias’’ foram publicadas com fotos do prefeito e o nome dele nos títulos. De acordo com o MP, as investigações continuam e podem levar ao envolvimento de donos de outros jornais, além de emissoras de rádio e TV locais, colunistas e apresentadores.
O MP pede também a nulidade do último contrato, feito este ano, entre a prefeitura e a Nossa Propaganda, de R$ 1.173.623,75. Segundo a promotoria, entre as irregularidades do contrato está a falta de licitação. Os donos dos jornais foram denunciados porque são os veículos que receberam de forma sistemática do município nos últimos quatro anos. Os pagamentos eram mensais: R$ 8 mil para o ‘‘JP’’ e R$ 11 mil para ‘‘O Diário’’.

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