Curitiba - O Ministério Público (MP) federal denunciou anteontem mais dez pessoas supostamente envolvidas em crimes contra o sistema financeiro. A denúncia foi feita depois que a força-tarefa instalada há dois anos no Paraná iniciou em julho deste ano a fase de verificação da migração dos dólares brasileiros para bancos estrangeiros por via de outros bancos, depois do fechamento oficial do Banestado de Nova York. Em agosto, uma operação especial denominada de ''Farol da Colina'' prendeu simultaneamente empresários e doleiros espalhados em sete estados brasileiros.
A operação terminou com a prisão provisória de 64 pessoas e 215 mandados de busca e apreensão cumpridos. Cinquenta e sete mandados de prisão não tiveram como ser cumpridos porque a Polícia Federal (PF), que participa da força-tarefa, não conseguiu localizar os paradeiros dos procurados. Todos os investigados em São Paulo foram denunciados esta semana pela força-tarefa, que dividiu por estados os processos e as denúncias. Os doleiros e funcionários de offshores (empresas que funcionavam como financeiras e que foram montadas para enviar dinheiro para paraísos fiscais) Antonio Oliveira Claramunt (conhecido como Toninho da Barcelona), José Diogo de Oliveira Campos, Altair Inácio de Lima (Carioca), Salvador Angelo de Oliveira Claramunt, Alaíde de Oliveira Campos Claramunt, Enrique Claramunt Riba e Patrícia Ferreira Sommerfeld foram denucniados como sendo os responsáveis pela movimentação de sub-contas da financeira Beacon Hill no J.P. Moragan Chase Bank de Nova York.
Toninho da Barcelona é apontado como sendo o principal doleiro da fase pós-Banestado. Ele trocava dólares e contas na fase Banestado com o também doleiro paranaense Alberto Youssef, segundo o MP federal. Youssef teria, inclusive, colaborado com o MP dando detalhamentos que foram úteis para a elaboração das denúncias. Também foram denunciados os empresários paulistas Samuel Semtob Sequerra e Jan Sidney Murachovsky, além do delegado de Polícia Federal Carlos Fernando Braga. Braga teria tido contato com Toninho da Barcelona e teria alertado sobre o desencadeamento da operação Farol da Colina que seria realizada no dia 17 de agosto.
O MPF denunciou todos os doleiros por crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, operação de instituição financeira sem a devida autorização, operações de câmbio não autorizadas e ocultação de bens ou valores. Os empresários foram denunciados por crimes de gestão fraudulenta, operação de instituição financeira sem a devida autorização, operações de câmbio não autorizadas e ocultação de bens ou valores. O delegado da PF foi acusado de violação de sigilo funcional, favorecimento pessoal, advocacia administrativa (valer-se da posição de funcionário público para patrocinar interesse privado) e formação de quadrilha.

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