MP denuncia desvio de R$ 511 mil do Provopar
O desvio de mais de R$ 511 mil do Programa do Voluntariado do Paraná (Provopar) em Londrina, entre 1998 e 2000, é o foco de uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa ajuizada ontem pela força-tarefa do Ministério Público (MP), que atua em Londrina.
São citados na ação a ex-coordenadora do Provopar, Isabel Cristina Almeida Barros, a ex-primeira tesoureira Maria Aparecida de Souza Pavan, a ex-segunda tesoureira Adriana Maragno Guazzi, a ex-funcionária da entidade Maria Cristina Campos, o marido dela Odair Barbaresco, o funcionário público José Antonio Tureta, o comerciante José Tadeu Otenio Costa, e a sua empresa ML Costa Restaurante ''Buffet Eldorado''.
De acordo com a Promotoria Especial de Defesa do Patrimônio Público, do total que teria sido desviado, R$ 375 mil seriam recursos repassados ao Provopor pelo município de Londrina e R$ 136 mil seriam repasses feitos pela Sercomtel. Outros R$ 38,4 mil de recursos públicos também teriam sido desviados.
Conforme a ação, a partir do repasse dos recursos, a funcionária Maria Cristina que exercia função administrativa teria desviado grande parte dos valores depositando inúmeros cheques emitidos pelo Provopar, em contas suas e de seu marido. O MP relata que para justificar as saídas de valores da entidade, teriam sido usados recibos forjados, inversão de avisos bancários, notas fiscais irregulares ou já utilizadas para justificar outros pagamentos. Em depoimentos prestados ao MP, a funcionária admitiu a utilização de suas contas bancárias e de seu marido para depósito de recursos do Provopar, afirmando ter agido sob orientação da coordenadora da entidade. A versão foi contestada por Isabel Cristina.
Segundo a auditoria do MP, grande parte dos valores desviados teriam sido utilziados para pagamentos de despesas incompatíveis com os interesses da entidade, como consórcios, vestuário, mercado, presentes, cursos de inglês e informática. A ação também relata que cheques emitidos pelo Provopar a supostos fornecedores, um total de R$ 11,3 mil, teriam sido depositados por Maria Cristina em uma conta bancária pertencente à Cohab, de Londrina.
''As requeridas Isabel Cristina Mesquita de Almeida Barros, Maira Aparecida de Souza Pavan, Adriana Vieira Maragno Guazzi alternaram-se na emissão dos cheques do Provopar, sem se preocuparem com a real destinação que seria dada aos recursos. Assinaram cheques com o campo do favorecido em branco, aceitaram as infundadas justificativas constantes dos controles internos dos cheques ... permitindo e facilitando que a requerida Maria Cristina Campos depositasse todas as importâncias já mencionadas em suas contas particulares e/ou nas do requerido Odair Barbaresco e na conta da Cohab-PR, permitindo e autorizando, por outro lado, que os recursos públicos repassados ao Provopar fossem utilizados para pagamento de despesas dissociadas do interesse público e dos objetivos da instituição'', afirma o MP, na ação.
Ainda segundo a ação, José Antonio Tureta, teria recebido do Provopar por serviços prestados e contratados pelo gabinete do então prefeito, Antonio Belinati. José Tadeu Costa e a ML Costa Restaurante - Buffet Eldorado, foram citados na ação, porque conforme o MP, teriam se beneficiado indevidamente de R$ 7 mil. ''Vou entregar isso para os meus advogados. Para mim surpreende isso, todas as informações prestei junto ao Ministério Público'', disse Costa. Todos os outros citados foram procurados pela reportagem mas não foram localizados.
A ação pede o ressarcimento dos recursos pelos requeridos, na medida da responsabilidade de cada um, e a indisponibilidade de seus bens imóveis e móveis (inclusive aplicações financeiras), até o julgamento da causa. (C.O.)





