O Ministério Público (MP) ajuizou ontem uma ação civil pública por improbidade administrativa pelo desvio de R$ 148 mil dos cofres da Prefeitura de Londrina. O desvio teria ocorrido em setembro de 1998, através de uma licitação fraudada na extinta Autarquia Municipal do Ambiente (AMA, hoje Secretaria do Meio Ambiente).
Conforme a ação, que cita 18 pessoas físicas e jurídicas, entre elas o ex-prefeito Antonio Belinati (hoje no PSL), e o atual prefeito de Nova Santa Bárbara e ex-diretor operacional da autarquia, Júlio Bittencourt (PP), a licitação por serviços de consultoria ambiental, no valor de R$ 148 mil, teria sido vencida pela Ecodata Engenharia e Serviços Especializados de Computação S/C Ltda., de propriedade de Cícero Bley Júnior. O serviço nunca teria sido prestado.
A ação relata que o cheque de R$ 148 mil teria sido depositado na conta da Ecodata, sendo transferido para a conta pessoal de Bley Júnior. O empresário teria depositado R$ 130 mil na conta de Cláudio Menna Barreto Gomes. ''Nessa fase de lavagem do dinheiro público, Menna Barreto entregou o cheque no valor de R$ 120 mil ao requerido Dante Belinati Guazzi, que por sua vez, contactou o conhecido doleiro Alberto Youssef, o qual providenciou a troca do cheque, viabilizando-se, assim, a consecução do desvio'', relata trecho da ação. Através do rastreamento do dinheiro desviado, o MP identificou que os recursos teriam sido depositados na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, no Banestado. Youssef não é citado na ação porque não teria conhecimento da origem do dinheiro e não seria co-autor nem beneficiário do desvio.
O advogado de Guazzi, Gilberto Baumann de Lima, questionou as provas utilizadas pelo MP para citar o sobrinho de Belinati na ação. ''Mas baseado em quê (citação de Guazzi)? O doleiro (Youssef) que falou isso em depoimento. Para mim isso é muito pobre. Dante é um empresário conhecido em toda região, pessoa idônea. Apoiar uma acusação tão forte, tão importante em um depoimento de uma pessoa que está sofrendo inúmeros processos é complicado'', argumentou. ''Ele (Guazzi) nunca teve ligação com a prefeitura. É empresário na área de construção civil. Vou ter que analisar todos os elementos dessa ação'', complementou.
Júlio Bittencourt negou ter conhecimento dos desvios supostamente ocorridos na AMA. ''Quero deixar meus sigilos à disposição da Justiça, bancário, patrimonial e fiscal de toda minha família e de quem mais o MP achar que deve ser aberta a quebra de sigilos. Não tenho participação nenhuma em ilícito dessa natureza. Se houve participação foi involuntária, sem ter o meu conhecimento'', alegou. ''Vou provar a minha inocência. Minhas declarações de renda do tempo que trabalhava na AMA estão à disposição no site da prefeitura de Nova Santa Bárbara.''
O advogado de Belinati, Antonio Carlos de Andrade Vianna, disse que vai ''aguardar a intimação oficial para poder proceder a defesa''. Também foram citados na ação, os ex-diretores da AMA Mauro Maggi e Nelson Kohatsu e outros três fucnionários da autarquia. Maggi, que reside em Ibiporã, e Cláudio Menna Barreto Gomes, de Curitiba, não foram localizados porque seus telefones não foram disponibilizados no sistema de informações. O telefone celular de Bley Júnior estava desligado. Nelson Kohatsu não quis se manifestar sobre a ação.

mockup