O Ministério Público (MP) ajuizou ontem uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa denunciando o desvio de R$ 146,2 mil dos cofres da Prefeitura de Londrina.
O desvio, conforme o MP, teria ocorrido em setembro de 1998, na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU). Vinte e duas pessoas são requeridas na ação, entre elas o ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), ex-secretários municipais, ex-diretores e ex-membros da comissão de licitação da Comurb, empresários e empresas que teriam participado da concorrência pública. O serviço contratado, de ''engenharia urbana para possibilitar o controle da manutenção viária'', nunca teria sido prestado.
A ação relata que o pagamento à empresa curitibana vencedora da licitação foi feito com recursos do Fundo de Urbanização de Londrina (F.U.L), através de um cheque em favor da empresa, no dia 23 de setembro de 1998. No entanto, os recursos teriam sido depositados na conta pessoal de Eleonora Lobo Santos, mulher de Arion Cruz Santos, representante da Esteio Engenharia e Aerolevantamento Ltda., que participou da concorrência.
Do total dos recursos, R$ 100 mil teriam sido depositados por Eleonora na conta de Alcides Alves de Souza, aberta na agência do Banco Sudameris, na Avenida Higienópolis. Segundo o MP, Souza seria um laranja que teria tido seus documentos utilizados para a abertura da conta. Souza relatou aos promotores que entre 1997 e 1998, teria trabalhado na Construtora Protenge, de propriedade de Dante Belinati Guazzi, sobrinho do ex-prefeito, como pedreiro. Após o depósito na conta de Souza, o dinheiro teria sido redistribuído em duas contas bancárias na mesma agência, uma da VD Loteadora Ltda., de Guazzi e Vitor José Galão, e outra conta conjunta dos dois empresários. Outros R$ 55 mil foram sacados da conta de Souza.
''A quebra do sigilo da conta bancária aberta em nome de Alcides Souza, permitiu verificar que mesmo antes do depósito efetuado no valor de R$ 100 mil, desviado através da carta-convite objeto desta ação, por ela transitaram outros valores que favoreceram os requeridos Dante Belinati Guazzi e Vitor José Galão, eis que na data de 24 de junho de 1998, a empresa Protenge foi destinatária de um depósito em dinheiro no valor de R$ 7,1 mil'', diz trecho da ação. A Polícia Federal (PF) já instaurou inquérito para verificar irregularidades na conta aberta em nome de Souza.
''Conseguimos identificar que parte destes recursos beneficiaram a VD Loteadora, Dante Belinati Guazzi e Vitor Galão. Pedimos a indisponibilidade de bens de todos os requeridos, devolução dos recursos e as sanções previstas na lei por improbidade administrativa, além de multa civil'', relatou a promotora Leila Schmidt Voltarelli, que assina a ação.
A ação ainda faz menção à lista apreendida no escritório de Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, e que seria o caixa de campanha da família Belinati. Na lista, consta uma anotação no valor de R$ 100 mil, datada de 23 de setembro de 1998 (mesma data do depósito) para as iniciais D.B.G.

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