MP denuncia cinco vereadores por formação de quadrilha
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Classificados em ação penal como ''organização criminosa'' e 'bando'', os vereadores londrinenses Henrique Barros, Osvaldo Bergamin (ambos do PMDB), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Orlando Bonilha (PR) foram denunciados ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pelos crimes de formação se quadrilha e concussão - utilização dos cargos públicos para exigência de vantagem econômica indevida.
A investigação iniciada há dois meses foi instruída pelo inquérito relatado também ontem pela Polícia Civil, no qual apenas Barros acabou indiciado. Há uma semana, o peemedebista ganhou o noticiário ao ser preso em flagrante de posse de R$ 9,9 mil em dinheiro. Segundo os promotores que conduziram o caso, as três situações em que a concussão teria ocorrido, só de dezembro para cá, lesaram em cerca de R$ 47 mil três empresários da cidade - elencados na ação como vítimas -, beneficiados com aceleração e aprovação de projetos de lei.
O conteúdo da investigação vinha sendo mantido em sigilo pelos promotores que conduziram o caso, Cláudio Esteves e Jorge Barreto, do Gaeco, em ação conjunta com Renato de Lima Castro e Leila Voltarelli, de Defesa do Patrimônio Público. A denúncia contra o grupo foi oferecida ao juiz substituto da 3 Vara Criminal, Marcos José Vieira, depois que o delegado Ernandes Cézar Alves, do 6º Distrito Policial (DP), concluiu de manhã o inquérito que indiciou Barros por crime de concussão.
Para o delegado, que deve desmembrar o inquérito para apurar novas situações, em três casos as vítimas relataram o pagamento de propina que teria fomentado a prisão do vereador, na tarde da última quinta-feira. Ele ficou quatro dias no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), até obter liberdade provisória. ''As investigações, inclusive com campanas no local (do pagamento anterior ao flagrante), mais documentos e informações anônimas sustentam o inquérito'', disse Alves.
Conforme a ação penal, a suposta associação criminosa teria durado pelo menos entre o segundo semestre de 2007 e janeiro deste ano, constituída no interior da Câmara. Os vereadores ''dolosamente, associaram-se em quadrilha, entre si e possivelmente com outros indivíduos ainda não identificados, com caráter de estabilidade e permanência'', diz o documento. Segundo os promotores, Barros faria as ameaças aos empresários e Bonilha centralizaria os valores arrecadados e os repassaria aos demais integrantes de eventual esquema - como vem detalhado abaixo.


