Praticamente três meses após o início das investigações, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apresentou ontem denúncia criminal contra 13 acusados de operar o golpe da tanatopraxia - dentre eles o ex-vereador Orlando Bonilha, o ex-superintendente da Acesf Osvaldo Moreira Neto, o plantonista Mauro Pinto Ferreira - atualmente preso no 2º Distrito Policial -, o gerente da empresa Tanato Londrina, André Luiz da Maia, e os proprietários do Tanatorium Bom Pastor, Gefferson Martins e Osmar Martins.
O suposto golpe era aplicado na Acesf e envolvia a coação de familiares para contratação de tanatopraxia (conservação de cadáveres) em casos em que o serviço era desnecessário. Segundo as investigações, funcionários e dirigentes da Acesf, que é uma autarquia ligada ao município, receberiam propina para aumentar o envio de corpos para as empresas particulares que executam a técnica. Os crimes citados na denúncia são formação de quadrilha, concussão e corrupção.
A coação aos familiares era feita mediante ameaças de que os corpos poderiam apresentar vazamento de líquidos ou mau cheiro se não fosse feito o serviço. De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), porém, a tanato só é obrigatória para velórios com mais de 24 horas ou deslocamento do cadáver por avião. Conforme a FOLHA apurou durante as investigações, não havia concorrência entre as empresas e o preço do serviço, entre R$ 1.200 a R$ 1.800, era muito superior à média de R$ 400 cobrada em outras cidades da região. Após a instauração do inquérito, a Acesf registrou queda de 75% na tanatopraxia - sem ocorrência de qualquer problema nos velórios.
De acordo com o depoimento que deu origem às investigações, feito pelo ex-funcionário do Tanatorium Bom Pastor, Alex Martins, a propina paga pelas empresas era dividida entre os funcionários da Acesf, o ex-superintendente Moreira Neto e seu padrinho político, o ex-vereador Orlando Bonilha (atualmente foragido). Também fazem parte da denúncia protocolada ontem na 5 Vara Criminal, os funcionários da Aces, Carlos Antônio Martinelli, Luiz Carlos Teodoro, Antônio Vaz Viana, Claudemir Mendes, Ilson Marcolino Barbosa, Geraldo Lopes da Silva Junior e Neio Lucio Martins Bandeira. Todos os acusados, com exceção de Bonilha, foram ouvidos durante o inquérito e negaram irregularidades. As investigações contam com depoimento de dois funcionários da Acesf, não incluídos na denúncia, que confirmaram ter conhecimento de que havia um esquema de irregularidades envolvendo a tanatopraxia.
O promotor Jorge Fernando Barreto da Costa, um dos autores da denúncia, explicou que o Gaeco está conduzindo um novo inquérito sobre o caso - já que o primeiro foi concluído na data limite determinada pela lei para investigações que incluem réu preso. De acordo com ele, foram constatados na investigação inicial 14 crimes, que poderão ser acrescidos com aqueles relatados pelas famílias de vítimas que continuam sendo ouvidas.

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