MP denuncia 86 prefeitos neste ano
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de dezembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Ministério Público (MP) estadual protocolou 86 denúncias contra prefeitos paranaenses somente em 2003. Desde 1994, foram ajuizadas 1,2 mil ações contra administradores públicos. Os dados se referem apenas a prefeitos. Os demais políticos, como vereadores e deputados, não aparecem no relatório oficial. No entanto, as notícias de peculato (desvios de recursos públicos) e concussão (favorecimento indevido por causa da função pública) contra vereadores são constantes.
O presidente da Associação de Municípios do Paraná (AMP), Joarez Lima Henrichs (PFL), tem acompanhado as denúncia contra prefeitos e aposta que, na maioria das vezes, os casos de improbidade administrativa são ocasionados por desconhecimento. ''As denúncias contra prefeitos recaem geralmente em questões como prestação incorreta das contas dos municípios, convênios que não podem ser cobertos por falta de recursos. Não são erros cometidos por gestão fraudulenta ou má-fé'', argumentou.
Levantamentos da AMP demonstram que 16% das ações ajuizadas contra prefeitos são efetivamente por corrupção. Já no que se refere aos vereadores, a alegação é diferente. O vice-presidente da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar), Paulo Salamuni (PMDB), lamentou que os políticos estejam se envolvendo em atos ilícitos. ''Esses problemas sempre ocorreram, mas não eram punidos. Agora as instituições tiraram as mordaças e iniciaram um processo de denúncia e punição contra os políticos corruptos. Eu comparo a política a uma bateia de minerador. Precisa bater muito para tirar a impureza e assim colher o brilho'', analisou o parlamentar.
Em dezembro, o MP protocolou denúncia contra os vereadores de Maringá, Divanir Moreno Tozati e João Alves Correa, por corrupção passiva. Eles teriam pedido R$ 150 mil dos sócios de uma empresa para revogarem uma lei municipal que autorizava o tombamento do prédio da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Em novembro, o ex-deputado estadual e ex-vereador de Curitiba, Aparecido Custódio da Silva, foi preso por denúncia de peculato e concussão. Ele ficou detido por quase 30 dias no Centro de Triagem de Curitiba. Ontem, ele foi liberado da prisão e alegou estar sendo vítima de perseguição política.
No dia 6 de novembro, o ex-prefeito de Jaguariaíva Pedro Imar Mendes Prestes foi condenado a cumprir sete anos de prisão por crime de responsabilidade no desvio de verbas públicas em 1988. Em outubro, o MP entrou com uma ação cautelar pedindo o afastamento, quebra dos sigilos bancário e fiscal, indisponibilidade dos bens dos vereadores de Telêmaco Borba, Edson Francisco Mendes e Nezias Trindade da Silva. Eles estão sendo investigados por suposto desvio de combustível da Câmara de Vereadores.


