Brasília - O Ministério Público Federal ofereceu denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra 61 acusados de envolvimento com a máfia das obras, desarticulada pela Operação Navalha, da Polícia Federal (PF). Entre os denunciados estão o ex-ministro Silas Rondeau (Minas e Energia), os governadores Teotônio Vilela (AL) e Jackson Lago (MA), e os ex-governadores João Alves Filho (SE) e José Reynaldo Tavares (MA). O dono da empresa Gautama, Zuleido Veras, também denunciado pela Procuradoria Geral da República, é acusado de liderar o esquema de pagamento de propinas para autoridades públicas.
A PF desencadeou em 17 de maio de 2007 a Operação Navalha contra uma quadrilha suspeita de fraudar licitações públicas para a realização de obras, como as previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Luz Para Todos - ambas do governo federal. Quando a operação foi desencadeada, Rondeau era titular do Ministério de Minas e Energia. Indicado para a pasta pelo PMDB, ele acabou se afastando do cargo - o titular da pasta hoje é Edison Lobão. A quadrilha atuava no Distrito Federal e em nove Estados - Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão e São Paulo -infiltrada nos governo federal, estadual e municipal.
Segundo a PF, a quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Para obter vantagem nas licitações para obras públicas, a empresa pagava propina e dava presentes para as autoridades envolvidas. De acordo com a denúncia, as atividades ''delituosas se desenvolveram concomitantemente nos vários Estados em que a Gautama executava obras públicas''.
''O grupo, em um primeiro momento, identificava nos ministérios a existência de recursos destinados a obras públicas nos Estados e municípios. Em seguida, cooptava agentes políticos e servidores públicos para viabilizar a realização dos convênios entre os ministérios e os entes federativos, participando, inclusive, da elaboração dos projetos técnicos e estudos exigidos para a sua celebração'', diz a denúncia assinada pelas sub-procuradoras-geral da República, Lidôra Maria Araújo e Célia Regina Delgado.
A estrutura da quadrilha se dividia em três níveis. No primeiro, estariam funcionários da Gautama, criada a partir de uma dissidência da OAS. O chefe do esquema seria Zuleido Soares Veras, sócio-diretor da Gautama, também preso pela PF. O segundo nível seria composto por 11 pessoas, a maioria servidores que atuavam como intermediários perante os políticos e funcionários públicos, exercendo influência sobre eles para a liberação de recursos. No terceiro nível, estariam os agentes públicos municipais, estaduais e federais que, ''praticando diversos delitos, viabilizam a atividade da organização na obtenção de liberação de verbas, direcionamento dos resultados das licitações'', entre outras fraudes.

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