Curitiba - A força-tarefa instaurada pelo Ministério Público (MP) federal para investigar os crimes contra o sistema financeiro denunciou ontem 49 pessoas a maior parte de Foz do Iguaçu por movimentações financeiras consideradas fraudulentas em contas correntes de ''laranjas'', em 1996. Os denunciados movimentaram US$ 4.116.162.605,69, durante todo o ano de 1996, segundo o MP federal. A soma equivale a cerca de R$ 11,9 bilhões, em valores atuais.
De acordo com o MP federal, foram denunciados gerentes de cinco bancos (Banestado, Banco do Brasil, Bamerindus, Banco Meridional e Banespa), gerentes de duas transportadoras (TGV Transporte de Valores e Prosegur Brasil Transportadora de Valores e Segurança), sete doleiros, três aliciadores de ''laranjas'' e também ''laranjas''. A denúncia foi protocolada na 2 Vara Federal Criminal em Curitiba, especializada em crimes contra o sistema financeiro. O MP federal não revela se há pedidos de prisão. A denúncia, distribuída por sorteio na tarde de ontem, está nas mãos da juíza substituta Bianca Georgia Cruz Arenhart, da 2 Vara Federal Criminal.
O esquema funcionava da seguinte maneira, segundo o MP federal: conforme as investigações iniciadas pelo Banco Central, as empresas transportadoras de valores simulavam o repatriamento de divisas, com a participação dos agentes dos bancos, burlando autorizações especiais referentes a contas CC-5 (contas para não residentes) para a praça de Foz do Iguaçu.
A força-tarefa do Ministério Público federal tem a cooperação da Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central, Secretaria Nacional de Justiça e Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado. No Paraná e em São Paulo, estabeleceu-se também cooperação com o Ministério Público nesses estados. Também foram formadas frentes de investigação nos Estados Unidos, em cooperação com a Promotoria Federal do estado de Nova Jersey, com o Departamento de Segurança Interna (DHS) e com a Promotoria Estadual de Nova York. No Paraguai (país que faz fronteira com o Brasil em Foz do Iguaçu), o MP federal conta com o apoio do Ministério Público paraguaio.
A Folha telefonou para os bancos que constam na denúncia da força-tarefa, para que eles comentassem o assunto. Mas eles não se pronunciaram ou retornaram as ligações até o fechamento desta matéria. As duas transportadoras de valores também foram procuradas (TGV e Prosegur Brasil). Na TGV, a informação é que os denunciados não trabalham mais na empresa. E na Prosegur, o denunciado também é ex-funcionário, e não foi localizado pela Folha.

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