O ex-vereador Orlando Bonilha (PR) e mais sete testemunhas de acusação prestam depoimento hoje ao juiz substituto da 3 Vara Criminal de Londrina, Marcos José Vieira, no processo em que cinco parlamentares são acusados de concussão e formação de quadrilha. A partir do novo interrogatório de Bonilha a Promotoria deve definir se pede aditamento de denúncias já oferecidas ou se ingressa com novas medidas do gênero. Na audiência do dia 7, ele negou participação no caso delatado em janeiro, ao Ministério Público (MP), pelo então vereador Henrique Barros (sem partido). Segundo a FOLHA apurou, há possibilidade de os promotores aditarem o rol de acusados de formação de quadrilha, especialmente se o ex-vereador confirmar, também no depoimento de hoje, que haveria esquema de cobrança de propina na Casa pela aprovação de projetos de lei.
Anteontem, no processo que apura formação de quadrilha, concussão e lavagem de dinheiro na doação de um terreno ao empresário Marcelo Caldarelli, em dezembro de 2005, Bonilha confirmou ter recebido propina. Na ocasião, em juízo, ele ainda salientou ser verdadeira uma lista com os nomes de outros oito parlamentares, subscrita, segundo exame solicitado pela Polícia Civil, por Renato Araújo (PP), com números ao lado desses nomes.
Já no caso Henrique Barros, em que são investigadas formação de quadrilha e concussão que teriam sido praticadas contra três empresários, Bonilha negou participação, em depoimentos prestados semana passada no MP.
De acordo com o promotor Jorge Barreto, contudo, a expectativa do Gaeco é que o ex-vereador ''continue pelo mesmo caminho escolhido, que foi o da contribuição''. ''Embora nesta ação negue participação, ele é apontado pelo Henrique Barros como a pessoa que teria centralizado o esquema e admite que, se não faz parte, há um esquema de corrupção implantado na Câmara.''
Questionado se haverá aditamentos ou novas denúncias a partir dos depoimentos de Bonilha em juízo, Barreto explicou: ''O MP vai analisar o conteúdo disso tudo com profundidade e vai ver a amplitude dessas confissões para ver se tem elementos suficientes para novas denúncias ou aditamentos.''
Além de Bonilha e de Barros, são réus no processo de hoje os vereadores afastados Araújo, Flávio Vedoato (PSC) e Osvaldo Bergamin (sem partido). Na última sexta, das sete testemunhas de acusação, ao menos três - os empresários Maurício de Biagi, Alexandre Guimarães e Carlos Messas - confirmaram pagamento de propina a Barros. Para a audiência de hoje, são esperados os cinco policiais do Gaeco que participaram da prisão de Barros, dia 10 de janeiro, com R$ 9,9 mil, além de dois funcionários do posto de gasolina onde o ex-vereador trocou um cheque de R$ 4,8 mil recém-recebido de Biagi, naquele dia, por suposto pagamento de parte da propina pela doação de um terreno.

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