São Paulo - O Ministério Público (MP) de São Paulo entrou hoje na Justiça com uma ação civil por improbidade administrativa contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, denunciando como irregular o modo como ele contratou duas empresas em 2002 - quando era prefeito de Ribeirão Preto, no interior do Estado. Os contratos eram para construção de uma ponte de acesso a um condomínio. Entre as possíveis punições, o ministro pode perder a função pública, ter suspensos os direitos políticos e ser obrigado a devolver ao Tesouro o dinheiro gasto, R$ 302.744.
Já o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais (PFL-PB), afirmou ontem que recorrerá da decisão liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) que impediu anteontem a continuidade do depoimento do caseiro Francenildo Santos Costa. Antes do depoimento ser suspenso, Francenildo confirmou todas as denúncias feitas até agora contra Palocci. Segundo ele, Palocci, frequentava a casa alugada no Lago Sul de Brasília por seus ex-assessores de Ribeirão Preto, Vladimir Poleto e Ralf Barquete. Palocci seria chamado de ''chefe'' pelos ex-assessores, chegava na sozinho e de carro. Nildo também disse que viu na casa o empresário de jogos Artur José Teixeira Valente Oliveira Caio, apontado por Buratti por dar R$ 1 milhão para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
O recurso de Efraim deve ser ajuizado na terça-feira. A liminar do STF foi solicitada pelo senador Tião Viana (PT-AC), que alegou que o depoimento do caseiro poderia expor detalhes da vida pessoal do ministro Antonio Palocci (Fazenda), o que ultrapassava o limite das investigações da comissão. A liminar foi concedida pelo ministro Cezar Peluso.
Por conta dessa ação, Morais pedirá ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), e ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), que desistam de coletar assinaturas para ampliar o foco de investigação da CPI dos Bingos. Virgílio e Simon, por sua vez, disseram que a ampliação do foco da CPI evitaria contestações judiciais sobre as apurações dos assassinatos de prefeitos do PT, da remessa de dólares de Cuba ao PT, das denúncias de corrupção na prefeitura de Ribeirão Preto e do envolvimento de Palocci com negociatas de seus ex-assessores.
Efraim disse que as investigações respeitam o foco e o fato determinado exposto no requerimento de criação da CPI. Se reconsiderada a liminar e as investigações forem liberadas, Morais afirmou que proporá a votação de um novo requerimento para que o caseiro, que está sob proteção policial, volte à CPI para prosseguir seu depoimento. Para ampliar o escopo de investigação da CPI, Simon e Virgílio precisariam de 27 assinaturas de senadores, número que facilmente será atingido.

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