MP de Maringá ouve novas testemunhas em Londrina
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
O promotor de Defesa do Patrimônio Público de Maringá, José Aparecido da Cruz, voltou ontem a Londrina para ouvir novos depoimentos de pessoas que teriam recebido dinheiro desviado da Prefeitura de Maringá. São pessoas que eu considero importantes e que de fato receberam dinheiro ilícito, confirmou, evitando revelar a identidade dos envolvidos. Segundo o promotor, das quatro testemunhas relacionadas, apenas duas compareceram ontem ao Fórum de Londrina. As demais alegaram motivos médicos.
Já foram ouvidas em Londrina pelo menos 10 pessoas. Algumas delas seriam laranjas, que receberam o dinheiro desviado, mas não participaram ou conheciam o esquema de corrupção em Maringá. Outros, no entanto, se beneficiaram não só dos desvios de Maringá como também dos desvios da Prefeitura de Londrina o que evidencia uma conexão entre os dois esquemas de corrupção. A estimativa inicial é que pelo menos R$ 5 milhões seguiram a rota Maringá-Londrina. Mas o valor pode ser maior.
Cruz informou ontem que deve retornar a Londrina para novos depoimentos mas também não quis adiantar quando nem onde para não atrapalhar o andamento das investigações. Além disso, conforme os depoimentos ocorrem, novos nomes vão surgindo e também deverão ser ouvidos, desconversou. O promotor reafirmou que, além de Londrina, o dinheiro desviado de Maringá passou por cidades de vários estados brasileiros. Algumas das testemunhas que estão fora do Paraná deverão ser ouvidas por meio de carta precatória.
De acordo com informações já divulgadas pela imprensa, o esquema de corrupção em Maringá desviou pelo menos R$ 30 milhões dos cofres públicos, mas o valor pode passar dos R$ 100 milhões. O ex-secretário de Fazenda do município, Luis Antônio Paolicchi, e o ex-prefeito Jairo Gianotto (sem partido) seriam os principais responsáveis e beneficiários pelos desvios.
Além das pessoas que estão sendo ouvidas em Londrina, no final de dezembro o MP de Maringá tomou o depoimento do empresário-doleiro Alberto Youssef. Na época, o doleiro estava preso acusado de lavar R$ 120 mil desviados da prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. O depoimento complicou ainda mais a situação de Paolicchi.
Youssef revelou ao promotor Cruz que de 94 a 96 fez empréstimos pessoais ao ex-secretário da Fazenda. O pagamento desses empréstimos teria sido feito com cheques da própria prefeitura de Maringá. Youssef negou que conhecesse a origem do dinheiro.
Em Londrina, o doleiro também é investigado pelo MP e pela Polícia Federal por ser o responsável pela movimentação de 32 contas fantasmas abertas em duas agências do Banestado. Estas contas teriam lavado, apenas no período de maio de 98 a janeiro de 99, mais de R$ 150 milhões. Youssef negou as acusações. O doleiro foi solto no dia 22 de dezembro por determinação do Tribunal de Justiça (TJ), que atendeu a uma liminar proposta pela defesa do doleiro em habeas corpus.


