O Ministério Público ingressou com nova ação por improbidade administrativa contra o deputado federal Ricardo Barros (PPB). O deputado é acusado de vender irregularmente dois compactadores e coletores de lixo da Prefeitura de Maringá, em agosto de 1991, quando era prefeito. O juiz Sá Ravagnani, da 2ª Vara Cível de Maringá, acatou ontem a ação e mandou citar todos os envolvidos. Na denúncia, também são réus o ex-chefe de Divisão de Patrimônio da prefeitura, Antônio Amaral Carolino, além de José Andrade Duenha e Luiz Carlos Toledo Soares.
A acusação foi levantada no início do ano pelo ex-ouvidor municipal de Maringá, Euclides Zago da Silva. Os três citados, junto com Barros, fariam parte de uma comissão de avaliação da prefeitura. No início de agosto de 91, o grupo teria avaliado os dois compactadores e coletores em CR$ 1.010.000 (cruzeiros) valor considerado abaixo do preço de mercado. Os equipamentos foram então vendidos para a Prefeitura de Luiziana (30 quilômetros ao sul de Campo Mourão).
Quando assumiu a ouvidoria municipal, em janeiro de 93, Zago passou a investigar a venda e descobriu que a prefeitura de Luiziana não havia realizado transação com a administração de Barros. O MP então levantou que na mesma época da suposta venda, um cheque emitido por Soares, no mesmo valor da avaliação, foi sacado de uma agência do Banco do Brasil de Londrina. O MP quer a devolução do valor corrigido, pagamento de multa, suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o setor público.
A Folha não conseguiu falar ontem com Barros em Brasília. O advogado dele em Maringá, Luiz Carlos Manzatto, disse que não conhece a ação. ''Acho que a denúncia não dará em nada porque a Lei de Improbidade é de julho de 1992, e o fato ocorreu antes'', afirmou. Ele diz ainda que já expirou também o prazo para o MP apresentar a denúncia, que é de cinco anos após o término do mandato.

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