MP confirma elo Londrina-Maringá
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
Beneficiários do esquema de corrupção da Prefeitura de Londrina também receberam dinheiro desviado de Maringá. A revelação foi feita ontem pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público de Maringá, José Aparecido da Cruz, que esteve em Londrina ouvindo testemunhas e supostos envolvidos no esquema. Ele não quis dar detalhes do caso, mas informou que o volume de dinheiro investigado, que teria seguido a rota Maringá-Londrina, chega a R$ 5 milhões.
Os trabalhos de investigação em Maringá se entrelaçam com os de Londrina, em alguns casos com os mesmos personagens. Por isso já existe um trabalho conjunto entre as promotorias, confirmou Cruz, que ouviu as testemunhas com o promotor Bruno Galatti, da promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina. Mas ainda é prematuro antecipar qualquer informação. Estamos na fase de coleta de informação, acrescentou.
O Ministério Público (MP) de Maringá já comprovou que pelo menos R$ 30 milhões foram desviados da prefeitura, mas o valor pode passar dos R$ 100 milhões. O ex-secretário de Fazenda do município, Luis Antônio Paolicchi, e o ex-prefeito Jairo Gianotto (sem partido) são apontados como os principais responsáveis. Em Londrina, o MP já comprovou desvios de R$ 16 milhões, mas o valor também pode ser maior e chegar a R$ 200 milhões.
Segundo José Aparecido da Cruz, ontem foram ouvidas seis testemunhas. A maioria teria recebido o dinheiro desviado de Maringá mas não participou do esquema de corrupção. São laranjas, explicou o promotor. Ele acrescentou que deve voltar à cidade nos próximos dias para novos depoimentos. No total, cerca de 10 pessoas de Londrina teriam recebido dinheiro desviado.
O promotor também não quis divulgar o nome nem detalhes da participação das pessoas ouvidas ontem. Uma dessas testemunhas seria o proprietário de uma construtora de armazens agrícolas que prestou serviços para Jairo Gianoto. O empresário teria recebido vários cheques do ex-prefeito, pelo menos um deles da prefeitura de Maringá.
Cruz destacou que, além de Londrina, o dinheiro que saiu de Maringá seguiu outras rotas, passando por várias cidades de vários estados brasileiros. Todos têm informações para nos auxiliar, resumiu, sem maiores detalhes. Ainda segundo o promotor, o MP vai tentar ouvir, por meio de carta precatória, a todos que podem auxiliar na investigação.
Oficialmente, é a segunda vez que o José Aparecido da Cruz vem a Londrina ouvir testemunhas sobre os desvios de Maringá. No final de dezembro, ele compareceu ao prédio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) para acompanhar o depoimento do empresário-doleiro Alberto Youssef, na época preso acusado de lavar dinheiro público.
No depoimento, Youssef revelou que fez empréstimos pessoais ao ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi. O pagamento dos empréstimos, de 94 a 96, era feito com cheques da própria prefeitura de Maringá. O doleiro, no entanto, negou que na época conhecesse a origem do dinheiro.
Youssef ficou preso em Londrina durante 17 dias acusado de lavar em agência do Banestado R$ 120 mil desviados da prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. Ele também é investigado pelo MP e pela Polícia Federal (PF) por supostamente ser o principal responsável pela movimentação de 32 contas fantasmas em agências do Banestado em Londrina. Por essas agências passaram, somente no período de maio de 98 a janeiro de 99, R$ 150 milhões. Ele negou as acusações.
Beto Youssef como é mais conhecido foi solto no dia 22 de dezembro por determinação do Tribunal de Justiça (TJ), que atendeu liminar proposta pela defesa do doleiro em habeas corpus.


