MP começa a analisar contratos da UEL
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O auditor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Anisio Ribas Bueno Neto, entregou ontem à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público a relação dos gastos publicitários com a Rádio Nova Ingá, emissora de Maringá pertencente ao ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira. O relatório apresentado pela universidade mostra que entre fevereiro de 1997 a maio de 2000, a UEL pagou R$ 21.373,00 para a Nova Ingá. O maior valor teria sido repassado em outubro de 99 (R$ 8,2 mil).
De acordo com o documentos entregues ao Ministério Público (MP), a UEL gastou R$ 2.464.078 em divulgação e publicidade entre 97 e 2000. Segundo a documentação, em 97 a UEL gastou R$ 686 mil. Já em 98 foram gastos R$ 560 mil; em 99 R$ 615 mil e, no ano passado, mais R$ 601 mil. Ao deixar a promotoria, Ribas Neto negou que tivesse entregue novos documentos ao (MP).
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Sérgio Galatti, adiantou que também irá requisitar os contratos publicitários entre a UEL e a Rádio Nova Ingá, feitos em 1996. Galatti não quis comentar as investigações e disse apenas que o pedido é para completar a documentação recebida até agora.
A publicidade feita pela UEL passou a ser investigada depois que o apresentador de TV Márcio Mello (de Maringá) acusou Itaicy Mendonça, chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa, de superfaturar um contrato com a emissora de Pinga-Fogo. Mendonça está afastado do cargo, mas continua recebendo salário.
O MP já recebeu da UEL mais de 12 pastas com notas e outros documentos sobre gastos publicitários. Os documentos confirmam informações do reitor de que a propaganda da instituição era controlada pela Mercer Comunicação Publicitária Ltda., de Curitiba. Por ser uma autarquia, a universidade possui uma administração indireta, desvinculada do governo.
Ontem, a assessoria de imprensa do reitor informou que até o ano passado a propaganda da instituição era licitada pelo governo do Estado (via Secretaria de Ciência e Tecnologia), mas paga pela universidade. No ano passado, a UEL fez sua primeira licitação, no modelo carta-convite.
Entre os documentos entregues pela UEL, está um contrato assinado em maio de 95 entre a Mercer e 12 órgãos do governo (incluindo a Secretaria de Ciência e Tecnologia), no valor de R$ 5.273.854. Em maio de 99, o Estado autorizou um aditivo para o contrato até dezembro daquele ano. O contrato original era por dois anos, permitindo a renovação por mais 24 meses.
Após a análise da documentação, o promotor irá marcar os depoimentos das pessoas envolvidas com a publicidade feita pela UEL. Até agora somente o apresentador Márcio Mello foi ouvido.
A sindicância instaurada na UEL para investigar a denúncia contra o chefe de gabinete deve ser concluída amanhã. A Polícia Civil também investiga o furto de três computadores da reitoria da universidade, poucos dias após a denúncia ter sido tornada pública. Um dos equipamentos era usado por Itaicy.


