Em recomendação administrativa expedida ontem, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina pede que o vice-prefeito Guto Bellusci (PSD), o secretário de Governo, Paulo Arcoverde, e dois assessores devolvam os valores recebidos enquanto acumulavam cargos nos conselhos de administração e fiscal da Sercomtel. O montante chega a R$ 84,3 mil. O não acolhimento da recomendação, escreveram os promotores Renato de Lima Castro e Leila Schimiti, "importará na prática de ato de improbidade administrativa", ou seja, os quatro poderiam responder a ação civil pública. O prazo para resposta é de cinco dias.
O maior valor é cobrado do vice-prefeito: R$ 41,3 mil. Ele exerceu função no Conselho de Administração da Sercomtel praticamente desde o início do governo do prefeito Alexandre Kireeff (PSD). Os conselheiros de administração recebem cerca de R$ 3 mil por uma reunião mensal. Guto disse que está "super tranquilo" e que "o Ministério Público está equivocado", mas evitou outros comentários antes de receber a recomendação.
De Gustavo Lessa, que era assessor executivo da prefeitura e permanece apenas no Conselho Fiscal da Sercomtel, são cobrados R$ 26,7 mil. Lessa disse que o valor está errado, uma vez que exerceu os dois cargos concomitantemente apenas entre fevereiro e abril deste ano. Entre o começo do ano passado e fevereiro deste ano, ele ocupava somente o cargo na telefônica, com remuneração de R$ 1,8 mil mensais por uma reunião a cada três meses. "Estou esperando receber este ofício para decidir o que fazer. Não tenho elementos para dizer se vou devolver ou não", disse. "Mas, quando assumi os cargos havia o entendimento pela legalidade."
Conforme a recomendação, Arcoverde, que ocupava uma cadeira no Conselho Fiscal, teria de devolver R$ 9,2 mil. O secretário não foi localizado ontem. Do assessor Bruno Oliveira o MP pede a devolução de R$ 6,5 mil. Ele era integrante do Conselho de Administração.
À exceção de Lessa, os outros deixaram os cargos nos conselhos da Sercomtel no mês passado, após publicação de decisão do Tribunal de Justiça (TJ), no final de abril, que considerou ilegal acúmulo de cargos ocorrido na gestão do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). Lessa exonerou-se do cargo comissionado e permanece no conselho da telefônica. A representação no MP foi protocolada pelo suplente de vereador Emerson Petriv, o Boca Aberta.

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