MP cobra gestores públicos por falta de transparência em portais
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Promotores do Paraná ajuizaram, até agora, 44 ações para obrigar prefeituras e câmaras municipais a criar ou adequar os portais da transparência e disponibilizar aos cidadãos todas as informações sobre a administração pública, como número de servidores, salários, licitações, contratos, orçamentos e normas. Nas 22 comarcas que integram o núcleo de Londrina do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), o número de ações chega a 20 e inclui 22 câmaras e prefeituras dos 53 municípios.
As ações fazem parte do projeto Transparência nos Municípios, iniciado pelo MP (Ministério Público) do Paraná em 2014 com o desenvolvimento, em parceria com a Celepar, de uma plataforma tecnológica para apoiar a administração municipal na publicação dos portais; em 2015, os municípios e câmaras começaram a ser notificados para regularizar os sites e disponibilizar as informações e alguns firmaram TAC (Termo de Ajustamento de Conduta); a partir de 2016, os responsáveis prefeitos e presidentes de câmaras começaram a ser responsabilizados por meio de ações judiciais.
Passado este período, a avaliação do MP é positiva porque, "em 2014, havia 114 câmaras municipais e alguns poucos municípios que sequer possuíam Portais da Transparência, e atualmente todos dispõem de portais, muitos deles de forma adequada e no padrão desejado pelo MP do Paraná", segundo afirmou por meio de nota encaminhada à FOLHA. Entretanto, o MP não pôde informar quantas câmaras e prefeituras disponibilizam todos os dados da gestão, já que "a atualização dos portais ocorre a todo momento".

O coordenador do Núcleo de Londrina do Gepatria, Renato de Lima Castro, "a transparência tem efeito fundamental no exercício da cidadania e no combate à corrupção". "A transparência é um instrumento de controle para o exercício da cidadania; ao ter os dados de gestão, o cidadão pode entrar com representações, ações populares, reclamações perante os órgãos competentes. Toda a administração pública deve se pautar pela absoluta transparência."
No caso dos 53 municípios do Gepatria, Castro disse que muitos estão adaptados e lamentou que os promotores tenham que recorrer ao Judiciário para que "o administrador público cumpra sua obrigação". Castro também defende que prefeituras e câmaras tenham um funcionário efetivo com a incumbência de atualizar o site. Até o momento, os promotores têm ajuizado ações de obrigação de fazer, solicitando ao Judiciário que impunha multa pessoal ao gestor prefeito ou presidente da câmara em caso não cumprimento. Um próximo passo seria ação por ato de improbidade. "Dependerá do caso concreto", resumiu.
O promotor disse, ainda, que a coordenação do Gepatria forneceu um modelo de ação de obrigação de fazer para ser utilizado pelos promotores das comarcas. "A finalidade do Gepatria é estabelecer protocolos de investigação, oferecer um procedimento padrão para permitir aos órgãos do MP que não desperdicem tempo e estudo em procedimentos já estudados pelo MP, para garantir mais celeridade e eficiência e otimizar os resultados", definiu. "O objetivo é facilitar e otimizar o trabalho."
Com relação aos municípios e câmaras que ainda não cumpriram os TACs, o MP ressalva que há casos, especialmente nos pequenos municípios, de dificuldades técnicas e insuficiência de servidores para a tarefa.
Prefeitura de Tamarana descumpre 22 itens, diz MP
Uma das últimas ações ajuizadas na região Gepatria de Londrina foi contra a Prefeitura de Tamarana, na qual os promotores de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Renato de Lima Castro e Ricardo Benvenhu, requerem que todos os dados e informações sejam disponibilizados no portal em 60 dias, sob pena de aplicar multa ao prefeito Roberto Siena (DEM) de dez salários mínimos. O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública intimou a prefeitura para juntar informações e ainda não há decisão quanto ao pedido de liminar.
Na ação, os promotores narram que em outubro de 2015, firmaram TAC com o município concedendo o prazo de 90 dias para a regularização do site e, desde então, "cobra a efetiva regularização de todos os itens do Portal da Transparência", mas sem sucesso. Dos 47 itens verificados, o município não estaria atendendo a 22, como a disponibilização do organograma, o modelo de formulário para pedido de informações, informações completas do quadro funcional (local de trabalho e carga horários, por exemplo) e gastos com diárias e passagens.
"Demonstra-se, assim, a necessidade e urgência de se compelir o requerido município de Tamarana a regularizar o website, com o fim de
adequá-lo ao projeto institucional do Ministério Público de regularização e padronização dos Portais da Transparência, consoante a legislação vigente", escreveram os promotores. A aferição dos itens cumpridos é feita por um setor técnico do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público (Caop), em Curitiba.
A procuradora-geral de Tamarana, Gisele Morais da Silva, disse que "90% do que está sendo pedido na ação já foi cumprido". Segundo ela, algumas informações estavam em outro local do site, mas já houve a regularização. "A nossa intenção é cumprir integralmente e disponibilizar todos os dados."
LONDRINA
Em relação à prefeitura e câmara de Londrina, o MP informou que ambos informam que cumpriram integralmente o que foi pactuado e, neste momento, o Caop analisa os sites para confirmar se todos os dados foram disponibilizados. (L.C.)


