MP avança no caso dos desvios em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de abril de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O Ministério Público (MP) de Londrina começa a aprofundar as investigações em âmbito criminal sobre o escândalo AMA-Comurb, quase um ano depois de ingressar com a primeira medida cautelar contra o ex-prefeito Antonio Belinati, principal acusado pelos desvios. O avanço das investigações objetiva a emissão de pedido de prisão de denunciados. Em 8 de maio de 2000, Belinati foi responsabilizado pelo desvio de R$ 3,3 milhões por meio de 30 licitações fraudulentas na extinta Comurb (hoje CMTU). Ele foi afastado três vezes de seu cargo pela Justiça e em junho de 2000 a Câmara cassou seu mandato.
Com o avanço das investigações, aumentaram os rumores sobre a prisão dos acusados e o Movimento pela Moralização na Administração Pública lançou a campanha Cana Neles, exigindo prisão para os acusados. O promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), afirma que as ações criminais já estão sendo preparadas. Estamos desdobrando o trabalho para que haja medidas criminais assim que forem ultimadas as providências, afirmou. Segundo ele, não significa que agora o MP esteja apenas atuando em uma investigação de natureza penal.
O promotor adiantou que o MP vai pedir a prisão dos principais envolvidos nas denúncias, porém é prematuro fazer especulações sobre as pessoas que eventualmente serão alvo dessas medidas. Certamente ao ajuizarmos as ações penais haverá o pedido de prisão daqueles com gravíssimo envolvimento em todos estes ilícitos cometidos contra a administração pública, resumiu.
Esteves lembrou que existe uma denúncia criminal oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) e que se encontra no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nessa ação o MPE pediu a prisão de Belinati, do ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, do ex-procurador-geral do município, Eduardo Duarte Ferreira e mais seis envolvidos. A ação deve retornar a Londrina porque Belinati perdeu o chamado fôro privilegiado.
O Escândalo AMA/Comurb já rendeu 11 ações cíveis e duas criminais. Ao todo são 117 réus, mais de 100 com sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrados. Entre os réus figuram o deputado federal José Janene (PPB) e o deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSL), além de ex-funcionários, assessores e empresários. Em dezembro do ano passado o deputado federal Alex Canziani (PSDB), também foi denunciado. Segundo o MP, Canziani teria sido beneficiado com R$ 78,8 mil desviados da Comurb. Em razão do volume de documentos, os promotores só analisam contratos ou licitações com valores próximos a R$ 80 mil. Somente na AMA e Comurb, os desvios comprovados somam R$ 16 milhões.
A venda das ações da Sercomtel para a Copel, no valor de R$ 186 milhões também é alvo de investigação pelo MP, Polícia Federal (PF) e Receita Federal. Outras investigações envolvem o repasse de R$ 1,3 milhão da prefeitura para o Grêmio Literário e Recreativo Londrinense, com o propósito de incentivar o esporte amador. Entre os investigados, está o ex-prefeito Jorge Scaff (PSB). Na Polícia Civil existem pelo menos 13 inquéritos sobre desvio de recursos, com mais de 20 indiciados, inclusive o ex-prefeito Antonio Belinati.
Já a PF também investiga 37 contas fantasmas abertas em agências do Banestado e atribuídas ao doleiro Alberto Youssef. Nessas contas circularam aproximadamente R$ 150 milhões, que seriam provenientes do nacrotráfico, contrabando e corrupção. Em uma das contas, aberta em nome da empresa Freitas & Dutra, o MP encontrou R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). A investigação resultou em duas prisões de Youssef libertado 17 dias depois, na primeira, e nove após a segunda. Outras três pessoas ligadas ao doleiro também foram presas e logo libertadas.
O total dos desvios em Londrina, segundo fontes da Folha, pode alcançar R$ 200 milhões. Belinati, que voltou a fazer programas de rádio, procura demonstrar tranquilidade. Já paguei o preço mais alto que um político pode pagar, quando tiraram o meu mandato, ponderou. Ele não quis tecer comentários sobre as suspostas ligações do escândalo AMA/Comurb com a campanha do governador Jaime Lerner, em 98. Mas alegou que nunca se negou a prestar informações à Justiça.
Belinati disse ainda que atualmente recebe a produtividade sobre os comerciais veiculados em seu programa, mas não informou de quanto seria esse rendimento. Seguramente mais que o salário de prefeito. Ele comentou que recebe uma aposentadoria como deputado estadual e justifica seus bens. Sou rico e abençoado por Deus. Nos anos de 98 e 99, a família Belinati teria fechado negócios imobiliários que somariam R$ 1,2 milhão.


