MP apura venda de área a assessor de Belinati
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de maio de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O Ministério Público (MP) de Londrina instaurou procedimento administrativo para investigar a venda de uma área de 302 metros quadrados para o empresário Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, considerado caixa de campanha do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). O terreno formava uma viela ao lado da praça José Pegoraro, ligando as ruas Michigan e Nevada, no Jardim Quebec, um bairro nobre de Londrina.
O procedimento, assinado pelos promotores Solange Novaes Vicentin e Bruno Galatti, foi aberto segunda-feira. Segundo o documento, o MP quer saber a regularidade nos processos de desafetação e posterior alienação, particularmente no tocante à veracidade dos motivos que embasaram a alienação.
O imóvel foi vendido a Carlos Júnior em fevereiro de 1992, quando Belinati ocupava seu segundo mandato como prefeito. Na época o empresário pagou Cr$ 6.342.420,00. Segundo o sistema de conversão do Banco Central (IGP-M), hoje esse valor representaria R$ 11.487,00. A área foi colocada em indisponibilidade pelo juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito, em uma medida cautelar contra Belinati e outros acusados. Carlos Júnior apresentou recurso tentando liberar o terreno para a venda, mas o MP deu parecer contrário.
O projeto permitindo que a prefeitura vendesse a área a proprietários lindeiros (que tivessem imóveis em frente ao terreno) foi aprovado pela Câmara de Vereadores em outubro de 1991. Carlos Júnior já possuía um imóvel em frente à viela e, em maio de 1991, adquiriu um outro terreno, que pertencia ao ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan.
Ao tramitar na Câmara, a matéria recebeu um parecer da Comissão de Ecologia da Câmara, obrigando o futuro proprietário a construir um muro e a plantar árvores apropriadas para o embelezamento paisagístico do local. O parecer dizia ainda que a viela ligava nada a parte alguma.
Carlos Júnior é réu em quatro ações criminais e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Londrina, mas não chegou a ser preso porque conseguiu liminar no Tribunal de Justiça. A Folha não localizou o empresário ontem à noite.


