Uraí Dois ex-vereadores de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio) protocolaram no Ministério Público (MP) um pedido de providências contra o prefeito Sussumo Itimura (PSDB) por suposta prática de nepotismo na atual administração.
Cícero Fortunato e Angelo Tarantini Filho (ambos do PT; o último, também ex-presidente na Legislatura passada) acusam que Itimura teria desrespeitado a Lei Orgânica Municipal (LOM) ao nomear para o Executivo quatro parentes dois filhos, uma filha e um neto, via Decreto Municipal 01/2005. Eles ocupam cargos de chefia junto ao Gabinete do Prefeito e aos Departamentos de Fazenda, Assistência Social e Viação e Obras.
Pelo artigo 131 da LOM, citado no pedido feito pelos ex-parlamentares ao promotor José Roberto Manchini, é estabelecido que ''nos cargos em comissão é vedada a nomeação do cônjuge ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau respectivamente do prefeito, do vice-prefeito e dos diretores de Departamento''.
''É um absurdo o prefeito fazer isso. Eles são de uma família de latifundiários, não precisavam disso. No fim, a gente é que vai sustentá-los'', reclamou Fortunato, que é hoje funcionário público de uma organização não-governamental (ONG) da Prefeitura.
O procurador jurídico do Executivo, Fernando Navarro Vince, afirmou que o pedido de providência foi respondido ao promotor tendo por base o que ele chama de ''inconstitucionalidade do artigo 131 da LOM'', que é de 1990. ''Ele fere o artigo 37 da Constituição Federal, cujo inciso segundo não proíbe a contratação de parentes em cargos comissionados'', rebateu. Ainda de acordo com Vince, o trecho citado também vai contra as leis municipais 839/92 e 861/93, posteriores à outra. ''Estamos estudando a revogação daquele artigo, inclusive'', completou o procurador.
Itimura foi eleito em outubro passado para o quarto mandato, aos 86 anos, na condição de prefeito mais velho do Brasil. Logo após o pleito, ele foi acusado de compra de votos e abuso de poder econômico pela então prefeita e segunda colocada na disputa eleitoral, Iracélis da Fonseca Borghi (PMDB), que pediu a cassação da diplomação do adversário. Em 30 de novembro, a juíza Kelly Sponholz Moleta julgou a ação improcedente e arquivou o processo.

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