MP apura suposta falha no uso de verbas pelo Filo
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quarta-feira, 03 de julho de 2013
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O Ministério Público (MP) do Paraná abriu investigação para apurar suposto desvio de verbas públicas nas três últimas edições do Festival Internacional de Londrina (Filo). Segundo denúncia apresentada ao MP, uma das irregularidades teria ocorrido no ano passado no pagamento de um grupo do exterior (Quirguistão) que se apresentou no Filo. Embora o cachê fosse de R$ 17,5 mil, o recibo e o cheque de pagamento teriam sido de R$ 24 mil.
Ainda, de acordo com a denúncia protocolada no MP no mês de abril por Darlene Kopinski, que recentemente deixou o grupo responsável pela organização do evento, o festival acumula dívidas que chegariam a quase R$ 2 milhões. Acompanham o material enviado à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público cópias de mensagens eletrônicas de supostos credores cobrando dívidas da organização do Filo.
Outra irregularidade seria o pagamento das refeições em 2011. A Associação dos Amigos da Educação e Cultura do Norte do Paraná (Amen), presidida por Luiz Bertipaglia, responsável pela gestão do evento, teria dado um cheque de R$ 17 mil ao restaurante para pagar "refeições para participantes do Filo", sendo que o gasto efetivo seria de R$ 15 mil. Bertipaglia disse à FOLHA que não tinha conhecimento das denúncias feitas ao MP por Darlene. "Nossa assessoria jurídica vai tomar as devidas providências. Não existem fraudes em pagamentos e estamos à disposição para prestar os esclarecimentos."
Bertipaglia negou que a Amen tenha R$ 2 milhões em dívidas. "A gente trabalha com orçamento apertado e toda a cidade sabe disso. Realmente todos os anos acaba ficando um saldo para trás, mas nem de longe chega a esse valor." Ele disse que a denunciante trabalhou com o grupo organizador do Filo por 25 anos e saiu recentemente depois de desentendimentos internos. "É difícil saber por que ela fez isso (a denúncia). Temos que ter muito cuidado, afinal o Filo tem uma história de 45 anos em Londrina."
Quanto a supostas ilegalidades no projeto de 2009, que previa a criação de um centro de formação em artes cênicas, ao custo de R$ 439 mil em recursos estaduais, o presidente da Amen reconheceu que o dinheiro não foi integralmente utilizado. "Realmente venceu o prazo do convênio e temos um saldo de cerca de R$ 250 mil a devolver, mas este processo está em andamento junto ao Tribunal de Contas e o dinheiro está na conta, sem problema algum."
O MP cobrou da Controladoria Geral do Município um relatório sobre as prestações de contas do Filo nos três últimos anos, mas segundo resposta enviada no dia 11 de junho, os documentos ainda estão em análise. A reportagem tentou durante a tarde e início da noite de ontem falar com Darlene, mas ela não foi localizada.


