MP apura sumiço de dinheiro de conta judicial
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Campo Largo O Ministério Público está investigando o desaparecimento de cerca de R$ 1,5 milhão de uma conta judicial em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. A conta foi aberta para que a prefeitura pudesse dar prosseguimento ao processo de desapropriação do terreno onde foi instalada a montadora norte-americana, já fechada, Chrysler. O proprietário do terreno, Oscar Ermínio Ferreira Filho, não queria vender, por isso a desapropriação teve que ser feita via Justiça.
A prefeitura depositou R$ 4,5 milhões, divididos em duas contas, já que a área estava em nome de Oscar e de uma empresa sua. Em junho, o advogado de Oscar, Clínio Lira, pediu para retirar parte do dinheiro, porque seu cliente está com problemas de saúde. Quando ele foi checar o saldo, descobriu que estava faltando cerca de R$ 1,5 milhão.
A promotora que acompanha o caso, Cláudia Rocha, explica que para mexer em contas da Justiça é preciso obter um alvará, com autorização do juiz responsável pela conta e do representante do MP, além da prefeitura. Uma cópia do alvará fica anexada ao processo e a outra segue para o banco. O MP entrou em contato com o banco, que enviou cópia dos alvarás: seis ao todo, emitidos entre 1999 e 2001. No processo não havia nenhum documento do mesmo gênero.
A Corregedoria da Justiça instaurou uma sindicância para investigar o caso. Nos depoimentos colhidos, o funcionário do cartório cível de Campo Largo, Adriano Domingos Bronholo, assumiu o desvio de R$ 500 mil. Ele disse que falsificou a assinatura do juiz responsável pela conta, José Odeni Magalhães. O juiz não atua mais no município, mas disse à Corregedoria que não lembrava de ter autorizado os saques.


