MP apura se viagem foi paga com licitação fria
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Uma licitação fraudulenta realizada na extinta Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb) atual CMTU pode ter financiado uma missão econômica para o Japão e outros países asiáticos em novembro de 1998. Organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Japão do Paraná, a viagem durou 21 dias e teve, entre seus delegados, o então presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Henrique Lenz César e outros integrantes do Judiciário paranaense. O custo total das passagens, segundo relatório do coordenador da missão em Londrina, Paulo Maeda, foi de R$ 71 mil.
Cerca de um mês após a viagem, a ex-diretora de Operações da Comurb, Lúcia Brandão, solicitou a contratação de serviços para transporte de alunos de escolas municipais e estaduais à Escolinha de Trânsito do 15º Batalhão de Polícia Militar de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). O pedido consta de documentação apreendida pelo Ministério Público (MP) e consultada ontem pela Folha.
A licitação foi realizada na modalidade carta-convite e o contrato, com a TIL Transportes Coletivos Ltda, assinado no dia 9 de fevereiro de 1999. No dia 24 do mesmo mês, a empresa emitiu à Comurb a nota fiscal número 04949, no valor de R$ 80 mil.
No entanto, o comandante do 15º Batalhão de Rolândia, tenente-coronel José Roberto Simões, enviou no dia 7 de junho deste ano, ofício ao MP negando que estudantes de Londrina estiveram no primeiro trimestre de 99 visitando o batalhão. Visto que essa unidade não possui escola de trânsito, conclui o ofício.
O contrato 020/99 é assinado pelo ex-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, e pelo ex-diretor administrativo-financeiro, Eduardo Alonso. Por parte da TIL, assinou o gerente-geral, Eduardo Dias Pereira da Silva, que anteontem prestou depoimento ao promotor Bruno Galatti. No depoimento, ele confirmou que emitiu cheques nos valores de R$ 77 mil e R$ 36 mil que teriam financiado a viagem ao Japão.
No início de agosto, também em depoimento ao MP, Paulo Maeda contou que comprou seis passagens aéreas (quatro na primeira classe) a pedido da prefeitura, numa agência de São Paulo. O cheque para pagar as passagens, no valor de R$ 77 mil, foi entregue por Eduardo Alonso.
Paulo Maeda negou, porém, que soubesse que o dinheiro tinha origem ilegal. As passagens e os R$ 6 mil que sobraram foram repassados, segundo Maeda, para o ex-procurador jurídico do município, Eduardo Duarte Ferreira, que também integrou a comitiva.
O gerente da TIL, Eduardo Dias da Silva, disse ontem à noite que todo o serviço prestado pela empresa à Comurb tinha como base a quilometragem percorrida. O que constava da nota fiscal não correspondeu ao que foi feito, admitiu. Segundo detalhou, a empresa, no entanto, recebeu os valores de acordo com o serviço realizado. O que fizemos foi pago corretamente.
Sobre os cheques nos valores de R$ 77 mil e R$ 36 mil, o gerente afirmou que fez uma troca de cheques atendendo a um pedido do então diretor administrativo-financeiro, Eduardo Alonso. Foi um ato pessoal, afirmou. Ele repetiu ontem o que havia dito ao MP: que não sabia da destinação do dinheiro.
Eduardo Dias lamentou o fato de a empresa estar envolvida nas denúncias que estão sendo apuradas pelo MP. O empresário atua há 16 anos no setor de transporte coletivo. O MP instaurou procedimento administrativo em maio deste ano para apurar se houve desvio de dinheiro público para beneficiar empresas e pessoas. (Colaborou P.L.)


