MP apura negócio entre Cacciola e ex-cunhado
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sexta-feira, 07 de maio de 1999
Agência Folha 
O Ministério Público Federal no Rio e a CPI do Bancos retiveram ontem fotos, cartas e um documento de transferência de TDAs (Títulos da Dívida Agrária) entre Salvatore Cacciola, dono do Banco Marka, e seu ex-cunhado, o advogado Roberto Moysés. O material retido estava em dois envelopes lacrados abertos ontem à tarde na 6ª Vara Federal do Rio, por ordem da juíza Ana Paula Vieira de Carvalho.
Diante de procuradores, delegados federais e dois senadores, foram abertos quatro envelopes, apreendidos por procuradores da República no apartamento de Cacciola na Barra da Tijuca (zona sul do Rio), durante cumprimento de mandado judicial de busca e apreensão.
Dois envelopes foram devolvidos a Cacciola, que presenciou a abertura acompanhado do advogado José Carlos Fragoso. Seriam documentos pessoais do banqueiro, sem importância para as investigações.
O Ministério Público Federal pediu a retenção de apenas um envelope. Nele, foi encontrada a rescisão de um contrato de cessão de direitos de TDAs. Datado de 29 de janeiro deste ano, o documento indica que Cacciola receberia de volta as TDAs que havia transferido para o ex-cunhado. Para o procurador Artur Gueiros, o documento pode demonstrar eventual tentativa de desfazer patrimônio, transferindo a posse de determinados títulos.
O MP não se interessou pelo envelope em que estavam oito fotografias e cartas de parentes de Cacciola, mas o senador João Alberto (PMDB-MA), relator da CPI, presente à abertura dos envelopes, requisitou o material, apoiado pelo senador Saturnino Braga (PSB-RJ). Para os senadores, as fotos podem indicar o grau de riqueza de Cacciola.
Cacciola demonstrou contrariedade com a apreensão. Nos envelopes não havia absolutamente nada que interessasse ao processo, afirmou o banqueiro em meio a um tumulto causado por cinegrafistas. Um poste de luz chegou a ser derrubado na confusão. O MPF e a CPI foram criticados pelo banqueiro.


